quarta-feira, 12 de maio de 2010

SOLA FIDE


A grande descoberta do frade Martin Lutero nas Escrituras foi que “o justo viverá por fé” (Rm 1.17). Essa verdade bíblica chegou a ser um grito de batalha na Reforma.
A fé é a mão que recebe a dádiva de Deus em Jesus Cristo. Certamente para o evangelista João, receber a Cristo parece ser um equivalente de crer nele (Jo 1.12). Por meio da fé fazemos nossos os benefícios de Cristo crucificado e ressuscitado. É nesses benefícios que descansa nossa segurança eterna de salvação.
A fé mediante a qual somos justificados não é cega, não é mera credulidade. Tampouco é a fé um mero assentimento à verdade revelada. É muito mais que um mero exercício intelectual. Ter fé é confiar, é abandonar-se nas mãos de Jesus Cristo, reconhecendo a enormidade de nossa culpa e a totalidade de nossa incapacidade para libertar-nos por nós mesmos do pecado. É admitir que os méritos humanos são inúteis para fins de justificação. É lançar mão do valor infinito da pessoa e obra do Filho de Deus. Ter fé em Jesus Cristo é deixar-se salvar por Ele.
A fé implica também obediência. Quando o homem crê que o Evangelho é a verdade, sente-se na obrigação de obedecê-lo. Segundo a doutrina da Reforma, o pecador é justificado só pela fé, mas a fé que justifica não permanece só. Não é uma fé estéril, muito menos morta. O ensino de Tiago (2.14-26) se harmoniza plenamente com o ensino de Paulo, o qual afirma que não somos salvos por obras, mas sim, para obras que Deus “de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Estas boas obras são o fruto da salvação, não a causa dela.
Crer em Jesus Cristo significa, além do mais, entrar em sério compromisso com Ele, com sua Igreja e com a sociedade. Não aceitamos Jesus Cristo para evadir nossas responsabilidades morais e viver como nos agrada, depois de haver adquirido uma apólice de seguro para a eternidade. No Evangelho há reclamos de caráter ético.
Jesus teve o cuidado de advertir as multidões sobre as dificuldades do caminho que Ele lhes propunha. Não guardou silêncio sobre as exigências do discipulado. Ninguém poderia queixar-se de que Ele lhes enganara com a oferta de uma “graça barata”. Seu interesse estava na qualidade, não na quantidade de seus seguidores.
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SOLI DEO GLORIA



Soli Deo gloria
(Do Latim: Glória somente a Deus) é o princípio segundo o qual toda a glória é devida a Deus por si só
Durante todo o desenrolar histórico do relacionamento de Deus com Seu povo, um alerta tem sido notório e reincidente: Deus deseja ser glorificado em, por e através de nós e de nossa instrumentalidade.

Deus não precisa receber a glória dos homens para ser completo ou sentir-se realizado. Pois, como disse o próprio Cristo Jesus, Ele já possuía toda glória antes que o mundo existisse (João 17.5). Mas, então, por que Deus deseja ser glorificado pelos homens? Por que os fez para a Sua própria glória?
Na resposta a essas questões, está um dos pontos focais da teologia reformada. Pois, entre os conceitos básicos da Reforma Protestante figura a resposta mais profunda à inquietante questão da razão da existência humana: Por que e para que existe o homem? Os reformados responderam: o homem existe porque Deus o criou e o criou para a sua própria glória.
Essa postura reformada é a mais simples análise do ensino bíblico sobre a existência do homem; basta uma olhadela do texto bíblico e logo descobriremos isso (Isaías 43.7). Desde a meninice, os filhos dos crentes reformados aprendem: qual é o fim principal do homem? Glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. Isso é o que diz o Breve Catecismo de Westminster.
Soli Deo Gloria foi um lema reformado que derivava do entendimento de que, assim como o homem, tudo o que ele faz deve se destinar à glória de Deus. Essa deve ser a mola motora que nos estimule a viver neste mundo.
Um dos maiores problemas do homem, em todos os tempos e sobretudo nos dias atuais, é a questão do seu próprio significado. O que significa viver? Muitas pessoas não querem mais viver, pois perderam o rumo, não encontram razão para estarem vivas amanhã.
Nos tempos modernos, os homens descobriram o consumismo, e isto tornou-se o seu fator motivador - depois do primeiro carro, vem o segundo, aquele novo televisor com mais polegadas que a própria estante, a estante maior vem em seguida... E todos esperam que a economia melhore, para poderem consumir mais.
Nos dias dos Reformadores, as mesmas questões estavam fervilhando, mas eram respondidas de outra forma. De uma maneira geral, as pessoas comuns e muitos “incomuns” viviam para a Igreja. Isso aparentemente era muito bom, pois havia um sentimento religioso e uma busca pelo divino. No entanto, a Igreja havia tomado o lugar central da vida das pessoas; elas estavam dependentes da igreja como uma instituição. Definitivamente, o romanismo havia destruído o catolicismo (conforme foi dito por um sacerdote católico-romano em durante a reunião do conselho de padres casados - Goiás).
O Império, o governo local, o comércio, o latifúndio, a extração mineral, o conhecimento, a arte, a filosofia e toda e qualquer outra riqueza estava atrelada à igreja. Onde está o mal disso? Reside no fato de que a igreja pensava em sua própria glória e grandiosidade.
Lutero vivia para a Igreja até que descobriu que a igreja não estava mais vivendo para Cristo e sim para o papado e para si mesma. Não somente ele; Calvino, Zwínglio, Farel, J.Knox..., todos afirmaram com suas palavras e atos que iriam viver para Deus. Como Calvino comentou: “... Deus deseja que a Sua glória seja manifesta no seu povo”. (Calvin Commentaries on the Isaiah 43.7).
Hoje, corremos o risco perigoso de viver para a nossa própria glória. Isso fará, aos poucos, com que as pessoas que estão na igreja percam o sentido real de sua existência, quando outras coisas tomam a frente dAquele que deve ser o nosso único motivo para termos sido feitos “Igreja de Deus”: viver somente para a glória de Deus.
O homem somente encontra o seu significado quando consegue cumprir com o propósito para o qual foi criado. Mas, isso só alcança o homem redimido em Cristo, pois este é recriado por Deus para viver essa realidade.
Ser um reformado implica em viver somente para Ele e para a Sua glória. Por isso, é necessário sempre reformar, para que, em todas as coisas que fazemos, Deus seja glorifcado. Pois, corremos hoje atrás de muitas coisas, visando quase sempre o nosso bem- estar. Não que seja pecado em si o ato de buscar o próprio progresso, mas isso não pode tornar-se o motivo de nossa existência. Descubra a vida gloriosa que há em viver e fazer tudo somente para a glória de Deus. Soli Deo Gloria! Amém!

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SOLA GRATIA


Ensinam os reformadores que o pecador é justificado unicamente pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Neste caso, a graça é o favor divino que o homem não merece, mas que, em sua soberania e bondade, Deus quer dar-lhe. A salvação é obra de Deus, não do homem. Paulo diz: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto [a salvação] não vem de vós, é dom de Deus; não [vem] de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Em outra Epístola, o apóstolo explica: “Se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.6).
O homem estende a mão vazia para receber, não a mão cheia para oferecer. Não tem nada a oferecer em troca de sua salvação. Tampouco pode cooperar com a graça divina para salvar-se. Está morto em seus delitos e pecados. Somente se dispõe a receber o favor de Deus.
O conceito de só pela graça é um golpe mui severo ao orgulho humano. Aqui não há lugar para a auto-suficiência, nem para a arrogância do que pretende salvar-se a si mesmo e a outros, mesmo por meio de esforços que aos olhos da sociedade parecem mui nobres e heróicos.

Deus é sempre ‘o Deus de toda a graça’(1 Pe 5.10). A salvação sempre foi, é e sempre será pela graça. Mas esta graça vem em plenitude na pessoa de Jesus Cristo (Jo 1.17). Cristo é o dom inefável de Deus ao mundo. O homem pode salvar-se em Cristo, não à parte de Cristo.


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SOLUS CHRISTUS


A mensagem dos reformadores era cristológica e cristocêntrica. Assim deve ser a nossa. Jesus declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). E, segundo o apóstolo Pedro, “não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).
Compete-nos escutar de novo estas declarações que se opõem radicalmente a todo intento sincretista ou universalista. Gostemos ou não, o evangelho neotestamentário é inclusivo e exclusivo. Inclui todos que recebem a Jesus Cristo como único mediador entre Deus e os homens, e exclui todos que resistem à graça de Deus. Não nos cabe incluir o que Deus não incluiu, nem excluir o que Ele não excluiu.
Só Cristo salva. Mas, qual Cristo? Definitivamente não se trata aqui do Cristo dos dogmas de feitura puramente humana, nem do Cristo da imaginação antiga e moderna, nem do Cristo do folclore latino-americano, nem do Cristo superstar das sociedades opulentas do norte, nem do Cristo dos poderosos interesses econômico-sociais em nosso continente, nem do Cristo dos ideólogos de última hora. O Cristo que salva é senão aquele que é revelado nas Escrituras.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo Deus — o Logos eterno, associado eternamente com o Pai e com o Espírito, criador e sustentador dos céus e da terra, o Senhor da vida e da história, o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o “que é, que era e que há de vir”, o Todo-poderoso Senhor.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo histórico — manifestado no tempo e no espaço, em data precisa do calendário de Deus, na plenitude da história humana, no contexto de uma geografia, de um povo, de uma cultura, de uma sociedade.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo humano — engendrado pelo Espírito, concebido pela virgem Maria, participante de carne e sangue, “feito carne”, identificado plenamente com a humanidade.

O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo profeta — o arauto de Deus Pai, intérprete da Divindade, revelador da vontade divina para seu povo e para toda a humanidade.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo sacerdote — o que está sentado à direita da Majestade nas alturas e “também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25).

O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo rei, que está para vir — o Juiz de vivos e de mortos, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Cristo da renovação total.

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terça-feira, 27 de abril de 2010

Tema: Quatro importantes admoestações de Jesus


Texto: Lucas 12: 1-12

Introdução
Essa narrativa está situada em um momento pelo qual Jesus foi convidado por um fariseu para uma refeição em sua casa. No momento em que Jesus toma o lugar na mesa, o fariseu observa que Jesus não se lavara primeiro, antes de comer. Jesus conhecendo seus pensamentos, tira a mascará daquele fariseu revelando-o que a sujeira maior estava no seu interior (11: 37-44). Também naquela ocasião estavam os escribas, que ficaram ofendidos com as palavras de Jesus (11: 45). Jesus então, passa agora a desmascarar os escribas e seus ensinos distorcidos. Depois de tudo isso Lucas nos diz que, estes escribas e fariseus tentavam procurar confundir Jesus com muitos assuntos. Eles freneticamente tentavam achar motivos para acusar Jesus (11: 53-54). O evangelista Lucas também nos informa que havia naquele momento miríades de pessoas, cerca de dez mil pessoas. Era uma multidão que nunca se vira antes com Jesus a fim de ouvi-lo. Era tanta gente que eles, se aglomeravam para vê-lo, ao ponto de uns se atropelarem (v. 1).
Certamente eles estavam esperando ver o que Jesus responderiam aos fariseus. Mas em primeiro lugar, Jesus não dirigiu suas palavras para os fariseus, nem para aquela grande multidão, mas para os seus discípulos. Foi principalmente para seus amigos que Jesus dirigiu suas palavras.
A preocupação de Jesus naquele momento era de admoestar os seus discípulos, e não de responder as perguntas maliciosas dos fariseus, e aqui ele faz quatro admoestações:
Tese: È sobre estas quatro importantes admoestações que falarei, pois tenho certeza que assim como foi de grande valia para os discípulos também será para nós.

I. A primeira admoestação que Jesus trata aqui é sobre a hipocrisia - v. 1-3 “Acautelai-vos do fermento dos fariseus que é a hipocrisia”.
(a). A hipocrisia aqui é caracterizada como fermento
1. O Fermento é sinônimo de influência perniciosa, maléfica, nociva, prejudicial. "um pouco de fermento leveda toda a massa" -
2. Esse fermento é a Hipocrisia dos fariseus – Um hipócrita é alguém que usa uma máscara e cuja aparência externa é totalmente diferente do que ele é interiormente.
a. Quando a hipocrisia recebe espaço no coração, ela começa a agir e a alargar sua influência, até que, finalmente, os efeitos se atestarão na aparência.
b. Um hipócrita pode ser capaz de, por algum tempo, usar uma máscara de santidade e se disfarçar aos olhos das pessoas; mas isto corromperá tanto seu coração e mente, que poderá vir a ser revelado no momento mais inesperado.
c. Um Hipócrita faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela!
d. “Um homem pode ter uma língua de anjo e um coração de demônio” - John Flavel
i. “A marca do hipócrita é ser cristão em toda parte, menos em casa” - Robert Murray M'Cheyne
ii. “Dizer que amamos a Deus enquanto vivemos uma vida sem santidade é a maior das falsidades” - Agostinho
3. Os fariseus se apresentavam com padrão da virtude, mas de fato eram mestres do disfarce.
a. Se de fato somos discipulos de Cristo, precisamos dar a devida atenção a esta admoestação de Jesus, para não sermos achados como hipocritas, defendendo algo que não vivemos, ou até mesmo escondendo algo que não devemos esconder.
i. Nada há encoberto que não venha a ser revelado. Amados, uma coisa é certa, mesmo que uma coisa seja muito bem encoberta, ela algum dia virá à luz. E, mesmo que seja oculta, tornar-se-á conhecida – v. 2-3
ii. Certamente este Dia será o grande é do Juízo de Deus, onde tudo será trazido à luz; toda hipocrisia neste dia será desmascarada – R.C. Sproul

II. A segunda admoestação que Jesus trata aqui é sobre as perseguições – v. 4-7
(a). Não devemos temer os homens que não se simpatizam com o evangelho
1. Para falar sobre isso aos seus discípulos Jesus se dirige a eles de uma forma carinhosa, e fraternal, chama-os de “meus amigos” – v. 4
2. Estes seus amigos não deveriam temer as perseguições que certamente os alcançaria por serem amigos de Jesus.
a. A primeira grande perseguição foi liderada por Saulo (Paulo), muitos cristãos morreram. Depois com o imperador Nero (70 d.C). Logo após com Domiciano (81-96 d.C) e depois muitas outras.
3. Estes seus amigos não deveriam temer nem mesmo a morte física.
a. A proclamação do evangelho traria perseguição e morte aos discípulos fieis. Mas eles não deveriam temer estas coisas. Porque Deus certamente visitaria seus perseguidores com um castigo bem maior: a morte eterna no inferno – v. 5.
i. "Geena de fogo" traduz-se como inferno, isto é, o lugar da punição futura. Era conhecido originalmente como o vale do Hinom, ao sul de Jerusalém, onde o lixo e os animais mortos da cidade eram jogados e queimados. É um símbolo apropriado para descrever o ímpio e sua destruição futura.
4. Estes seus amigos precisam temer a Deus antes que os homens.
a. O temor aqui é com relação ao julgamento de Deus. “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” – Hb. 10:31.
i. Os discípulos não precisam temer aqueles que apenas matam o corpo.
ii. Os cristãos não precisam ter medo dos oponentes, nem dos sofrimentos (1Pe. 3: 14. Ap. 2: 10). Isto porque o temor aos homens lhes é removido pela segurança em Deus (Mt. 10: 30-31; Hb. 11: 23, 27; 13: 6)
iii. Jesus faz a aplicação deste ponto aqui enfatizando o cuidado protetor de Deus pelos seus discípulos, mencionando o cuidado do Pai para com os pardais.
 Em Mateus 10: 29 lemos que dois pardais eram vendidos por um asse. Aqui aprendemos que cinco pardais são vendidos por dois asses.
 Em outras palavras, um pardal a mais é colocado de graça quando são comprados. Mesmo assim, nem esse pardal extra, sem valor comercial, é esquecido diante de Deus. Se Deus cuida daquele pardal, quanto mais dos que levam o evangelho. Ele conta até os cabelos de sua cabeça – v. 7
a. Aqui temos uma menção a providencia de Deus. Todas as coisas são dirigidas e supridas por Deus.

III. A terceira admoestação que Jesus trata aqui é com relação à apostasia – v.8-10
(a). Aqui a apostasia é caracterizada como uma recusa a confessar Jesus
1. Uma confissão de Cristo perante as pessoas, que é uma proclamação franca da verdade e uma defesa constante da verdade, é exigida de cada seguidor de Cristo.
a. Se o confessarmos Ele, por sua vez, estará do nosso lado no último dia e nos confessará de modo tão pleno, e de modo ainda mais alegre, perante os anjos de Deus que estarão presente diante do trono do julgamento – v. 8
i. Aqui Jesus está tratando dos verdadeiros discípulos que o receberam com Senhor e Salvador de suas vidas.
1. Que honra será para todo o cristão verdadeiro, naquele glorioso Dia, ouvir da própria boca do Filho do Homem (expressar sua messianidade e também designar a si mesmo como o cabeça da família humana): “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” – Mt. 25: 34
2. Aquele que negar Cristo se verá negado e rejeitado exatamente no momento quando mais precisa de socorro e salvação, no dia do julgamento, e perante os santos anjos de Deus que servem de testemunhas – v. 9. Este certamente escutara: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” – Mt. 25: 41
a. Aquele que nega a Cristo está cometendo o pecado imperdoável, que Jesus chama de blasfêmia contra o Espírito Santo.
i. Os fariseus obstinadamente rejeitavam Jesus, e assim corriam no pecado imperdoável que não haverá perdão. Muitos também hoje o rejeitam o sentem vergonha de confessá-lo como Senhor. E se morrerem assim cometeram o pecado imperdoável.
b. Antes de mais nada, precisamos entender que Deus perdoa todo e qualquer pecado se o confessarmos (1Jo. 1: 9), mas só a um, que é imperdoável: a Blasfêmia contra o Espírito Santo (v. 31).
i. A blasfêmia aqui não é palavras de ofensas que proferimos diretamente contra Deus, ou Jesus, ou o Espírito Santo.
ii. O tipo de blasfêmia especificada aqui só pode ser entendida pelo contexto.
1. O contexto nos ensina que os fariseus atribuíam a Satanás o que o Espírito Santo, por meio de Cristo estava realizando – (Mt. 12: 1-32)
a. Eles agiam voluntariamente e deliberadamente. Mesmo com todas as evidencias contrarias, ainda afirmavam que Jesus expulsava demônios pelo poder de Belzebu (Mt. 12: 24)
b. Não só isso, eles faziam progresso no pecado rejeitando e planejando a morte de Jesus – (Mt. 9: 11; 12: 2, 14.
2. Em outros textos somos informados que os fariseus não se entristeciam por seus pecados; antes seus corações continuam endurecidos; E assim, por meio de sua pessoal e criminosa insensibilidade, eles estavam condenando a si próprios.

IV. A quarta admoestação que Jesus trata aqui é com relação a capacitação que seus discípulos receberiam - v. 11-12
(a). Essa capacitação provinha do Espírito Santo
1. Jesus os admoesta a não se preocuparem, quanto as coisas que eles deveriam falar. O Espírito Santo, no exato momento, os ensinaria e lhes daria tais palavras na boca que seriam exatamente as apropriadas para o momento e serviriam para confundir seus inimigos.
a. O Espírito Santo desceria sobre eles e os ensinariam as palavras que deveriam falar quando estes fossem levados as sinagogas, perante os governadores e as autoridades.
b. O Espírito Santo colocaria as palavras certas na boca deles na hora certa.
i. Certamente o Espírito Santo os faria lembrar das palavras que Jesus os ensinara – João 16: 13
ii. Muitos cristãos já ficaram surpresos, quando atacados pelos inimigos de Cristo, diante da facilidade com que fluíam os pensamentos e as palavras que, na ocasião, lhes saíam da boca. Quando uma pessoa não se apóia em sua própria habilidade e astúcia, então o próprio Senhor guiará sua língua na defesa das grandes verdades da Bíblia.
iii. “Temos aqui uma promessa geral a todo o povo de Deus: aos que andam no Espírito, serão dadas as palavras apropriadas nos momentos de crise” – William Macdonald

Conclusão
 Estas admoestações são validas para nós também, pois a todo tempo precisamos pedir a Deus que retire de nós toda hipocrisia, pois quantas vezes vamos para igreja mascarados? Quantas vezes falamos algo e não vivemos? Quantas vezes nos comportamos como fariseus?
 Sim, estas palavras são para nós, pois precisamos confiar mais na providencia de Deus e saber que mesmo nas perseguições Deus estará conosco. O próprio Jesus disse: “Estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Não precisamos temer o homem, mas a Deus. Isso é, se de fato, somos os seus amigos.
 Estas palavras são validas para nós, porque nos trazem conforto, pois temos a certeza que Jesus nos confessará diante de Deus naquele grande e esperado Dia. E também nos incentiva a encorajarmos outros a não negarem Jesus, mas confessá-lo diante dos homens, para que não sejam rejeitados naquele grande Dia.
 Estas admoestações de Jesus nos dão a certeza de que, o Espírito Santo sempre estará ao nosso lado nos ajudando e nos capacitando.

Rev. Edvaldo Miranda (se for usar, por favor citar o autor)