sábado, 12 de junho de 2010

A MÚSICA GOSPEL E A PROLIFERAÇÃO DE HERESIAS



Lamentavelmente a Igreja brasileira tem experimentado nos últimos anos uma variedade enorme de falsos ensinos. São tantas as heresias disfarçadas de "doutrinas" que é impossível não sentir-se envergonhado diante de tanta aberração. Infelizmente boa parte destas discrepâncias teológicas se deve as canções cantadas em nossas igrejas.

Ora, por favor, pare, pense e reflita nas letras das músicas que são tocadas nos cultos evangélicos. Sinceramente algumas delas são absurdamente ridículas, além obviamente de um mal gosto musical que denota a incompetência dos compositores. Se não bastasse isso, os princípios teológicos disseminados nestas canções são destruidores.

Sinceramente fico a pensar por que os músicos de nossas comunidades evangélicas não submetem suas "poesias" a pessoas qualificadas para que à luz das Escrituras avalie o conteúdo de suas canções.

Para piorar a situação algumas destas pérolas musicais descaradamente atentam contra o vernáculo ultrapassando em muito a liberdade poética fazendo-nos ruborizar diante de tanta ignorância. Junta-se a isso que os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais. Se fizermos uma análise de nossas liturgias chegaremos a conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus.

Pois é, numa liturgia preponderantemente hedonista, os evangélicos são extravagantes, querem de volta o que é seu, necessitam de restituição, determinam a prosperidade, tocam no altar, pedem chuva, cantam mantras repetitivos erotizando sua relação com Deus, desejando da parte do Criador, beijos, abraços e colo.

Caro leitor, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado pelos falsos apóstolos em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens.
Pense nisso!

Por: Renato Vargens

Fonte: http://renatovargens.blogspot.com/2010/02/musica-gospel-e-proliferacao-de.html

sábado, 5 de junho de 2010

UM CHAMADO À FIRMEZA



Se você estiver empenhado num conflito mortal com um adversário poderoso, astuto, esperto, deve estar alerta para não cair, para não deslizar e escorregar, certificando-se de que os seus pés estão bem calçados. Isso é importante em todas as espécies de conflito físico; e é ainda mais importante na esfera espiritual. Você precisa estar bem seguro de que sabe o que está fazendo e onde está se firmando. É preciso que se cuide para não ver, de repente, tudo fugir de debaixo dos seus pés porque esses não têm como se firmar bem.

Isso quer dizer que você deve ser resoluto; que você tem de resolver ser "um bom soldado de Jesus Cristo", venha o que vier. Você tem que resolver apegar-se a este evangelho, não importa que hostes de inimigos estejam armados contra você. Você tem que ter firmeza. Não deve entrar na vida cristã e continuar nela com coração dividido, estando meio dentro, meio fora, desejando benefícios mas se opondo a deveres, querendo privilégios porém rejeitando responsabilidades. Para começar, você tem que ser firme, sólido, resoluto e confiante. A menção que Paulo faz das sandálias traz essa noção. Se você quer "estar firme", assegure-se de que pode e quer "estar firme". Não se precipite, por assim dizer, com os pés descalços, mas calce as sandálias guarnecidas de tachões. Preste atenção nesse requisito.

O apóstolo ensina a mesma verdade em 1 Coríntios, capítulo 16, na ordem: "Estai firmes na fé"! (versículo 13). Quando olho para a Igreja hoje, vejo muitos cujos pés não estão calçados com a preparação do evangelho da paz. Eu os vejo escorregando e deslizando - evangélicos, bem como outros! Os homens não são mais firmes, não são mais resolutos, não sabem mais no que crêem, e não se apegam ao que crêem venha o que vier. As concessões são muito comuns. Seja agradável, seja bom, seja afável, são as máximas atuais. Muitos protestantes parecem estar prontos para voltar para Roma a qualquer momento! É porque não têm os pés calçados com o equipamento do evangelho da paz. Eles estão deslizando, escorregando, oscilando e mudando, sem saber onde estão, e nesse meio tempo o diabo se regozija. Isso é aplicável tanto a igrejas como a indivíduos.

"Se você quer "estar firme", assegure-se de que pode e quer 'estar firme'."

Vocês sabem em que crer? Existe algo pelo que vocês estão prontos para "estar firmes"? Não me desculpo por fazer tais perguntas. Parece-me que hoje as pessoas estão prontas para fazer concessões em todas as coisas. Porventura vocês crêem realmente que a Bíblia é a Palavra de Deus, divina e singularmente inspirada, e inerrante? Vocês estão prontos para ficar firmes nessa verdade? É isso que significa pôr as sandálias.

Vocês estão prontos para permanecer firmes em prol da deidade de Cristo? Do Seu nascimento virginal? Dos milagres? Vocês estão prontos para permanecer firmes em prol da morte expiatória, sacrificial, substitutiva do nosso Senhor? Vocês estão prontos para permanecer firmes em prol da ressurreição de Cristo como um fato literal, físico? Vocês estão prontos para permanecer firmes em prol da Pessoa do Espírito Santo? Sabem onde querem estar firmes, conhecem a sua posição? Como poderão combater o inimigo, se não conhecem a sua posição? Ás vezes penso que a leitura sobre as artes bélicas deveria ser obrigatória, que deveríamos ler sobre os grandes comandantes de exércitos como Alexandre, Cromwell, Napoleão e outros. Eles sempre escolhiam o seu lugar e a sua posição; sabiam onde iam estar firmes. E nós não devemos deixar a decisão com o inimigo: Tome a sua posição e diga: "Aqui estou firme!" Tome posição com Martinho Lutero, que não se perturbou com o fato de que tinha contra si doze séculos de catolicismo romano e de tradição. "Aqui estou firme; não posso fazer outra coisa, disse ele; e nós também temos que aprender a estar firmes. Temos de saber o que cremos, ser resolutos e estar determinados a permanecer firmes por isso, venha o que vier.

Vocês têm uma posição definida? Estão dispostos a permanecer firmes nela, e a dizer: "Nunca me renderei, nunca sairei daqui"? No momento em que vocês começarem a ceder quanto à Palavra de Deus, Iogo estarão escorregando e deslizando, tanto na doutrina como na prática. Alguns estão constantemente se contradizendo; elogiam os protestantes e os pais não conformistas na primeira metade do seu discurso ou artigo; depois os criticam na segunda metade. Isso não é "ficar firme"; é escorregar. Eles não sabem onde estão, e ninguém sabe.

"Tome posição com Martinho Lutero, que não se perturbou com o fato de que tinha contra si doze séculos de catolicismo romano e de tradição."

Como o apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 1:19, o evangelho de Cristo não é sim e não ao mesmo tempo. Essa é a verdade quanto à política, quanto ao eclesiasticismo, quanto ao "mundo"; contudo não é verdade quanto a Cristo. O evangelho do Filho de Deus, Jesus Cristo, nunca é "sim e não". O ensino de Paulo não concorda com o credo atual- "dialética" lhe chamam - que ensina "sim e não" ao mesmo tempo. No entanto, diz Paulo, o evangelho não é "sim e não", mas "nele (em Cristo) houve sim. Porque todas quantas promessas há em Deus, são nele sim, e por ele o amém, para glória de Deus por nós". E isso significa, segundo alguns intérpretes, que eu e vocês devemos somar o nosso Amém ao Seu Amém, ao Seu grande sim. Permaneçam firmes nisso, custe o que custar.

A nossa firmeza, porém, não se aplica somente à doutrina; aplica-se à totalidade da vida. Uma vez que você entrou nesta vida, tem que tomar a sua posição e permanecer firme, sem vacilar, do lado do Senhor. Quando você se encontrar com os seus velhos amigos do mundo, e eles propuserem a você que continue fazendo o que costumava fazer com eles, você sabe que não pode, e recusará fazê-lo. Permaneça firme resolutamente. Não escorregue para o lado deles. Não! Você tem os seus pés calçados com a prontidão do evangelho da paz. Uma vez que você entrou nesta vida e percebeu que ela é inteiramente diferente da sua vida anterior, você deve dizer: "Aqui estou firme!" Alguém de quem você gosta muito poderá tentá-lo, todavia você terá que dizer: "Não posso trair o meu Senhor; comprometi-me em obedecer aos Seus mandamentos. Os meus pés estão calçados, não estou vacilando". Não fomos destinados a portar-nos ridiculamente, é claro; mas a permanecer firmes nos princípios, e a aplicar esses princípios. Isto se aplica intelectual e doutrinariamente, e à conduta e ao comportamento. Aplica-se a todos os departamentos da vida.

"Deus sempre realizou as Suas maiores obras com um remanescente. Livre-se da idéia de números. O que Deus quer é um homem ou uma mulher que esteja em prontidão para 'ficar firme', cujos pés estejam 'calçados com o equipamento do evangelho da paz'."

Os seus pés estão calçados? Essa é a grande necessidade desta hora; é o chamado de Deus, creio eu, à Igreja e a todo cristão no presente. Deus está à procura dos que permanecerão firmes! Acredito que Ele está dizendo nos dias atuais o que fez nos dias de Gideão. As "hostes de Midiã" tinham subido, e um grande exército de 32.000 foi reunido por Israel. Dos 32.000 houve somente 300 em que Deus pôde confiar. Ele sabia que estes permaneceriam firmes, que nunca desistiriam, que nunca cederiam. Por isso Ele despachou os restantes, e com os poucos 300, o remanescente, Ele derrotou e desbaratou as hostes de Midiã. Deus sempre realizou as Suas maiores obras com um remanescente. Livre-se da idéia de números. O que Deus quer é um homem ou uma mulher que esteja em prontidão para "ficar firme", cujos pés estejam "calçados com o equipamento do evangelho da paz". Ele sabe que pode confiar em tais pessoas; sabe que elas permanecerão firmes, não importa o que aconteça com elas e em torno delas.

Você está firme? Está disposto a permanecer firme? Está pronto para ficar firme? Você entrou de fato na vida cristã, ou está com um pé no mundo e um pé na Igreja? Qual será a situação? "Não podeis servir a Deus e a Mamom." Talvez você pense que pode; logo verá que não pode. Será derrotado, e se sentirá miseravelmente mal e, quando enfrentar a Deus no juízo, você terá vergonha de si mesmo. Tenha os seus pés calçados com a prontidão, com a firmeza, com o equipamento do evangelho da paz. "Firmes!" "Vós, que sois homens, agora servi ao Senhor."

Fonte: O Soldado Cristão - D.M.Lloyd-Jones - Editora PES - p. 249

POR QUE O INFERNO É UM ASPECTO INEGOCIÁVEL



Por John Piper

O hoje pertence ao noticiário; o amanhã pertence ao marketing; e a eternidade pertence à Verdade. Se você só vive para este mundo, terá pouca preocupação com a verdade. "Deixe-nos comer, beber e divertir-nos; e chamar as idéias que protegem nossos apetites de 'verdades'". Mas se você vive para a eternidade, você abre mão de alguns modismos passageiros para tornar-se eternamente relevante.

Em Bethlehem*, nós reputamos a verdade como superior a sucessos temporários. Onde a verdade é minimizada e as pessoas não estão arraigadas e fundamentadas nela, os sucessos são superficiais e a árvore que cresce é oca, até mesmo enquanto floresce sob o sol da prosperidade. Oh que Deus nos dê um amor humilde e submisso pela verdade da palavra de Deus em sua profundidade e abundância.
Ouça o alerta de Paulo advertindo sobre nossos dias: "Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos (2 Timóteo 4:3)... que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. (2 Tessalonissenses 2:10)."

Tome, por exemplo, uma verdade que não é popular e está sendo abandonada por muitos que ostentam a bandeira de "evangélicos" sobre suas tendas: a verdade do inferno. Oh que diferença faz quando uma pessoa acredita no inferno com tremor e lágrimas. Há uma seriedade em relação a tudo na vida, e uma urgência em todos os nossos empenhos, e um sabor de seriedade-sangue que tempera tudo e faz com que sintamos o pecado sendo mais pecaminoso, a justiça sendo mais justa, a vida sendo mais preciosa, e os relacionamentos mais profundos, e Deus parece ser mais importante.
"Oh que diferença faz quando uma pessoa acredita no inferno com tremor e lágrimas."
Não obstante, como ocorre em toda geração, há sempre novos abandonos da verdade.

Clark Pinnock, um teólogo canadense que ainda se diz evangélico, escreveu:
"Eu fui levado a questionar a crença tradicional em um tormento consciente eterno por causa da repugnância moral e por considerações teológicas mais abrangentes, e não primordialmente baseado em fundamentos bíblicos. Simplesmente não faz nenhum sentido dizer que um Deus de amor torturará as pessoas para sempre por pecados cometidos no contexto de uma vida finita... Está na hora dos evangélicos saírem e dizerem que a doutrina bíblica e moralmente apropriada do inferno é a aniquilação e não o tormento eterno." (Clark Pinnock e Delwin Brown, Theological Crossfire: An Evangelical/Liberal Dialogue [Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1990], pp. 226-227)

Dorothy Sayers, que morreu em 1957, fala de um antídoto necessário contra este tipo de abandono da verdade:
Parece haver um tipo de conspiração, especialmente entre escritores de meia-idade de tendência vagamente liberal, em esquecer, ou esconder, de onde vem a doutrina do Inferno. Freqüentemente encontram-se referências "à cruel e abominável doutrina medieval do inferno", ou "à infantil e grotesca imagem medieval do fogo físico e dos vermes.". . .

Mas o caso é exatamente o contrário; enfrentemos os fatos. A doutrina do inferno não é "medieval": é de Cristo. Não é um dispositivo de "poder eclesiástico medieval" forjado para que pessoas amedrontadas dêem dinheiro para a igreja. É o julgamento deliberado de Cristo sobre o pecado. A imagem do verme que nunca morre e do fogo inextinguível deriva, não de "superstição medieval", mas originalmente do profeta Isaías, e foi Cristo que enfaticamente a utilizou... Ela nos confronta no mais antigo e menos "editado" dos evangelhos. Está explícita em muitas das parábolas mais conhecidas e implícita em muitas mais. Ela tem uma importância muito maior no ensino do que normalmente se percebe, até que a pessoa lê os Evangelistas [Evangelhos] em vez de escolher os textos que lhe são mais confortáveis. Não é possível livrar-se dessa doutrina sem rasgar o Novo Testamento em farrapos. Não podemos repudiar o Inferno sem repudiar a Cristo completamente. (Dorothy Sayers, A Matter of Eternity, ed. Rosamond Kent Sprague [Grand Rapids: Eerdmans Publishing Co., 1973], p. 86)
Eu só acrescentaria: Há muitas outras coisas que, se abandonadas, também significarão o repúdio final a Cristo. Não é por lealdade ultrapassada que nós amamos a verdade - até mesmo as verdades mais difíceis. É por amor a Cristo, e amor às pessoas que somente o Cristo da verdade pode salvar.
Desejando amar as pessoas com a verdade,

Pastor John

COMO HERDAMOS A PECAMINOSIDADE DE ADÃO?



Phil Johnson

Como nós entramos neste estado? A Bíblia joga toda a culpa em Adão. Romanos 5:12 diz: "por um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram." O pecado entrou no mundo por Adão, e então passou a todos os homens. O pecado de Adão trouxe morte espiritual – depravação total - sobre toda a raça. 1 Coríntios 15:22 diz: "em Adão, todos morrem".
Lembre-se que nós somos pecadores antes de cometermos qualquer ato evidente de pecado. Nós nascemos com a mácula do pecado. Na verdade, é apropriado dizer, como o fez Davi, que nós somos pecadores desde o momento da nossa concepção (Sl 51:5). Os teólogos referem-se a isto como o “pecado original”.
"Cinco versículos seguidos atestam de formas diferentes que o pecado de Adão corrompeu a raça inteira. Adão, como cabeça representativa da raça humana, mergulhou a todos nós no pecado."
Então como a culpa de Adão foi passada para você e para mim? Essa questão torna-se complexa e há várias opiniões teológicas diferentes que foram propostas para explicar este processo. Se você quiser aprofundar-se na pergunta, recomendo o livro de John Murray: A Imputação do Pecado de Adão ou os sermões de Martyn Lloyd-Jones em Romanos 5. Um dia desses, trataremos com mais atenção do assunto “pecado original”.

Nesta série, entretanto, não é realmente necessário entrar em grande detalhe na pergunta de como o pecado foi transmitido a nós a partir de Adão. É suficiente afirmar o fato de que o pecado de Adão nos condenou. Sem entrar profundamente em todos os mistérios que cercam esta pergunta, simplesmente declaremos o que a Palavra de Deus tem a dizer sobre o assunto: "pela ofensa de um só, morreram muitos" (Rm 5:15); "o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação” (v. 16); "pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte” (v. 17); "por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação” (v. 18); "pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores” (v. 19).

Cinco versículos seguidos atestam de formas diferentes que o pecado de Adão corrompeu a raça inteira. Adão, como cabeça representativa da raça humana, mergulhou a todos nós no pecado. Mas nós não podemos ficar à distância e apontar o dedo para ele em uma tentativa de nos desculparmos. Nós herdamos a culpa dele bem como a sua pecaminosidade. Somos tão condenáveis quanto Adão. A pergunta sobre como a culpa dele foi passada para nós não é tão importante quanto a realidade de que isso de fato aconteceu. Nenhum fato em toda a filosofia ou religião é atestado com tanta evidência empírica. Toda a descendência de Adão – com uma significativa e divina exceção – tem sido formada por pecadores. Nós nascemos moralmente corruptos.

Quero chamar sua atenção a um par de corolários desta doutrina. Primeiro, sugere que Adão foi uma pessoa histórica. Aqueles que querem tratar os capítulos iniciais de Gênesis como simbolismo ou mito destroem a doutrina do pecado original. Se Adão não foi um indivíduo histórico, nada disso faz sentido. Não há nenhuma explicação razoável para definir como a nossa raça tornou-se pecadora, a menos que o relato da queda em Gênesis 3 seja literalmente verdadeiro. Portanto, a pecaminosidade de toda a humanidade testemunha a respeito da veracidade do relato bíblico da queda.
"Se Adão não foi um indivíduo histórico, nada disso faz sentido. Não há nenhuma explicação razoável para definir como a nossa raça tornou-se pecadora, a menos que o relato da queda em Gênesis 3 seja literalmente verdadeiro."
Segundo corolário: Aqueles que negam que natureza humana é pecadora são culpados de ignorância voluntária. A universalidade da pecaminosidade humana é irrefutável. É patente. Todas as pessoas que conhecemos são pecadoras. Não há qualquer evidência que corrobore o mito de que as pessoas são básica e fundamentalmente boas.

O pecado original não é uma marca secundária na alma humana. Ele corrompe todos os aspectos de nosso caráter. Preste atenção nas palavras de Romanos 3, onde Paulo resumiu a doutrina da depravação universal. Estes versos vêm logo depois de dois capítulos com argumentos que mostram que os pagãos, os gentios moralistas, e até mesmo os judeus religiosos são todos pecadores perdidos. Em Romanos 3:9-18, Paulo conclui e estabelece com clareza e de forma inequívoca :

Nós já demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado [ele vinha provando este ponto por dois capítulos]; como está escrito [e aqui ele cita uma série de textos do Antigo Testamento]: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. “A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura”; “são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz”. “Não há temor de Deus diante de seus olhos”. Esse é exatamente o ponto em que começamos esta série, não é mesmo? Os não-crentes são incapazes de amar, temer, confiar, ou obedecer a Deus. Eles podem enganar a si mesmos pensando o contrário, mas isso só prova a falsidade de um coração doente pelo pecado.

O CALVINISMO SEGUNDO ENTENDO



Por Augustus Nicodemus Lopes

Calvinistas estão entre as tradições religiosas mais mal compreendidas da história da Igreja. Sei perfeitamente que alguns deles fizeram por merecer. Há calvinistas que defendem suas convicções sem caridade, gentileza e sensibilidade para com quem diverge. Outros, não conseguem ouvir quem não seja calvinista. Não considero essas atitudes como intrínsecas ao calvinismo. As pessoas são assim porque lhes faltam domínio próprio e humildade, e não porque são calvinistas. Não há nada no calvinismo que exija que calvinistas sejam rudes, intransigentes, mal educados, excessivamente críticos e arrogantes.

Boa parte das acusações que têm sido feitas aos calvinistas, além de serem generalizações injustas, parecem proceder de uma falta de conhecimento adequado do que os calvinistas realmente acreditam. Como não falo por todos, vou dizer o que eu penso sobre alguns desses pontos mais polêmicos.

Para começar, o calvinismo não é um bloco monolítico. Há várias correntes dentro dele. Todas se vêem como legítimas herdeiras do legado de João Calvino, desde presbiterianos liberais até puritanos modernos. Considero-me um calvinista dentro da tradição teológica que elaborou e até hoje mantém a Confissão de Fé de Westminster, muito similar às demais confissões reformadas dos batistas, congregacionais, episcopais e reformados.

1 – Creio que Deus predestinou tudo o que acontece, mas não sou determinista. O Deus que determinou todas as coisas é um Deus pessoal, inteligente, que traçou seus planos infalíveis levando em conta a responsabilidade moral de suas criaturas. Ele não é uma força impessoal, como o destino. Não creio que os atos da vontade e da liberdade humanas sejam mera ilusão e que nossa sensação de liberdade ao cometê-los seja uma farsa, como o determinismo sugere. Eu acredito que as nossas decisões e escolhas são bem reais e que fazem a diferença. Elas não são uma brincadeira de mau gosto da parte de Deus. Os hipercalvinistas são deterministas quando negam a responsabilidade humana ou pregam a passividade dos cristãos diante de um futuro inexorável. Por desconhecer essa distinção, muitos pensam que todos os calvinistas são deterministas e que eles vêem o homem como um mero autômato.

2 – Creio que Deus é absolutamente soberano e onisciente sem que isso, contudo, anule a responsabilidade do homem diante dele. Para mim, isso é um mistério sem solução debaixo do sol. Não sei como Deus consegue ser soberano sem que a vontade de suas criaturas seja violentada. Apesar disto, convivo diariamente com essas duas verdades, pois vejo que estão reveladas lado a lado nas Escrituras, às vezes num mesmo capítulo e até num mesmo versículo! (Ex: Atos 2:23).

3 – Encaro a relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana como sendo parte dos mistérios acerca do ser Deus, como a doutrina da Trindade e das duas naturezas de Cristo. A soberania de Deus e a responsabilidade humana têm que ser mantidas juntas num só corpo, sem mistura, sem confusão, sem fusão e sem diminuição de ambas.

4 – Creio que Deus predestinou desde a eternidade aqueles que irão se salvar e, ao mesmo tempo, oro pelos perdidos, evangelizo e contribuo para a obra missionária. Grandes missionários da história das missões eram calvinistas convictos. Calvinistas pregam sermões evangelísticos e instam para que os pecadores se arrependam e creiam. Se quiserem um bom exemplo, leiam O Spurgeon que Foi Esquecido, de Iain Murray, publicado pela PES. Nunca as minhas convicções sobre a predestinação me impediram de ir de porta em porta, oferecendo o Evangelho de Cristo a todos, sem exceção. Após minha conversão, e já calvinista, trabalhei como evangelista e plantador de igrejas durante vários anos, em Pernambuco.

5 – Creio que Deus já sabe, mas oro assim mesmo. Sei que ele ouve e responde, e que minhas orações fazem a diferença. Contudo, sei que ao final, através de minhas orações, Deus terá realizado toda a sua vontade. Não sei como ele faz isso. Mas, não me incomoda nem um pouco. Não creio que minha oração seja um movimento ilusório no tabuleiro da predestinação divina.

6 – Não creio que Deus predestinou todos para a salvação. Da mesma forma, não creio que ele foi injusto nem fez acepção de pessoas para com aqueles que não foram eleitos. Não creio que Deus tenha predestinado inocentes ao inferno, pois não há inocentes entre os membros da raça humana. E nem que ele tenha deixado de conceder sua graça a pessoas que mereciam recebê-la, pois igualmente não há pessoa alguma que mereça qualquer coisa de Deus, a não ser a justa condenação por seus pecados. Deus predestinou para a salvação pecadores perdidos, merecedores do inferno. Ao deixar de predestinar alguns, ele não cometeu injustiça alguma, no meu entender, pois não tinha qualquer obrigação moral, legal ou emocional de lhes oferecer qualquer coisa. Penso assim pois entendo que a Queda de Adão veio antes da predestinação na seqüência lógica (não na seqüência histórica) em que Deus elaborou o plano da salvação.

7 – Creio que Deus sabe o futuro, não porque previu o que ia acontecer, mas porque já determinou tudo que acontecerá. Por isso, entendo que a presciência de que a Bíblia fala é decorrente da predestinação, e não o contrário. Quem nega a predestinação e insiste somente na presciência de Deus com o alvo de proteger a liberdade do homem tem muitos problemas. Quem criou o que Deus previu? E, se Deus conhece antecipadamente a decisão livre que um homem vai tomar no futuro, então ela não é mais uma decisão livre. Nesse ponto, reconheço a coerência dos socinianos e dos teólogos relacionais, que sentiram a necessidade de negar não somente a soberania, mas também a presciência de Deus, para poderem afirmar a plena liberdade humana.

8 – Creio que apesar de ter decretado tudo que existe desde a eternidade, Deus acompanha a execução de seus planos dentro do tempo, e se comunica conosco nessa condição. Quando a Bíblia fala de um jeito que parece que Deus nem conhece o futuro e que muda de idéia o tempo todo, é Deus falando como se estivesse dentro do tempo e acompanhando em seqüência, ao nosso lado, os acontecimentos. É a única maneira pela qual ele pode se fazer compreensível a nós. Quem melhor explica isso é John Frame, no livro Nenhum Outro Deus, lançado pela Editora Cultura Cristã. Minha esposa teve o privilégio de traduzir e eu de prefaciar essa obra, a primeira em português a combater a teologia relacional.

9 – Creio que Deus é soberano e bom, mas não tenho respostas lógicas e racionais para a contradição que parece haver entre um Deus soberano e bom que governa totalmente o universo, por um lado, e por outro, e a presença do mal nesse universo. Diante da perversidade e dos horrores desse mundo, alguns dizem que Deus é soberano mas não é bom, pois permite tudo isto. Outros, que ele é bom mas não é soberano, pois não consegue impedir tais coisas. Para mim, a Bíblia diz claramente que Deus não somente é soberano e bom – mas que ele é santo e odeia o mal. Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece a presença do mal do mundo e a realidade da dor e do sofrimento que esse mal traz. Ainda assim, não oferece qualquer explicação sobre como essas duas realidades podem existir ao mesmo tempo. Simplesmente pede que as recebamos, creiamos nelas e que vivamos na cereteza de que um dia ele haverá de extinguir completamente o mal e seus efeitos nesse mundo.

10 – Estou convencido que o calvinismo é o sistema doutrinário mais próximo daquele ensinado na Bíblia, ao mesmo tempo em que confesso que ele não tem todas as respostas. Todavia, estou convencido que os demais sistemas têm menos respostas ainda. Leio autores das mais diferentes persuasões teológicas. Às vezes tenho sido mais desafiado e tenho aprendido mais com livros de outras tradições. Não deixo de ouvir alguém somente porque não é calvinista. Há calvinistas que não são assim. Contudo, é uma injustiça acusar a todos de estreiteza, sectarismo, obscurantismo e preconceito.

Espero ter deixado claro que um calvinista, para mim, é basicamente um cristão que tem a coragem de aceitar as coisas que a Bíblia diz sobre a relação entre Deus e o homem e reconhecer que não tem explicações lógicas para elas. Para muitos, esse retrato é de alguém teologicamente fraco e no mínimo confuso. Mas, na verdade, é o retrato de quem deseja calar onde a Bíblia se cala.

Extraído de: http://tempora-mores.blogspot.com/