terça-feira, 22 de junho de 2010

SUBMISSÃO

Por: John MacArthur

A submissão é um elemento da conversão genuína. O convite de Jesus não termina com "eu vos aliviarei". Ele continua, dizendo: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (v. 29, 30). A chamada para a rendição ao senhorio de Jesus é parte e uma parcela do seu convite à salvação. Os que não desejam tomar o seu jugo não podem entrar no descanso salvador que Ele oferece.

Os ouvintes de Jesus compreendiam que o jugo era um símbolo de submissão. Em Israel os jugos eram feitos de madeira, talhados cuidadosamente pela mão do carpinteiro para adaptarem-se ao pescoço dos animais que deveriam usá-los. Sem dúvida, Jesus fez muitos jugos quando jovem, na carpintaria de José, em Nazaré. Esta era uma ilustração perfeita para a salvação. O jugo usado pelo animal para puxar uma carga era utilizado pelo condutor para dirigir o animal.

O jugo também significava discipulado. Quando o Senhor acrescentou a expressão "e aprendei de mim", a figura foi bem clara para os ouvintes judeus. Nos escritos antigos, quando um aluno se submetia a um professor, dizia-se que ele tomava o jugo do professor. Um autor registra este provérbio: "Coloque o seu pescoço sob o jugo e deixe que a sua alma receba instrução".

Os rabinos falavam do jugo da instrução, do jugo da Torah, e do jugo da lei.

O jugo também envolve obediência. Assim, o convite de Jesus aos pecadores, "tomai sobre vós o meu jugo", depõe contra a noção de que é possível receber a Cristo como Salvador, mas não como Senhor. Jesus não convida as pessoas a virem, se não querem tomar o seu jugo e submeter-se a Ele. A salvação verdadeira ocorre quando um pecador em desespero dá as costas ao seu pecado e vai a Jesus disposto a que Ele assuma o controle de tudo.

A salvação é pela graça e nada tem a ver com obras humanas. Mas a única reação possível à graça de Deus é um humilde quebrantamento, que leva o pecador a voltar-se da sua velha vida para Cristo. A evidência de uma tal volta é o desejo de submeter-se e obedecer. Se permanecerem intocadas a desobediência e a rebeldia, haverá razão para se duvidar da realidade da fé que tem uma pessoa.

O jugo da lei, o jugo dos esforços humanos, o jugo das obras e o jugo do pecado, todos são pesados, irritantes e exasperantes. Representam fardos enormes e insuportáveis, carregados na carne. Levam ao desespero, frustração e ansiedade. Jesus oferece um jugo que podemos carregar, e também dá-nos as forças para fazê-lo (cf. Fp 4.13). Aí há descanso verdadeiro.

O jugo que Ele oferece é suave e o seu fardo é leve, porque Ele é manso e humilde de coração. Ao contrário dos escribas e fariseus, Ele não deseja oprimir-nos. Ele não quer jogar sobre nós cargas que não podemos carregar, e nem está tentando mostrar-nos como é difícil ser justo. Ele é manso. Ele é compassivo. E dá-nos um fardo leve para carregar. A obediência, sob o seu jugo, é uma alegria. É quando desobedecemos que o jugo esfola o nosso pescoço.

O jugo da submissão a Jesus não é doloroso, é feliz. Significa estar livre da culpa e do peso do pecado — "descanso para as vossas almas". Este é um eco de Jeremias 6.16, onde o profeta diz: ' 'Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos".

Jesus recebeu uma resposta idêntica. Acontecimentos sub-seqüentes em seu ministério mostram que o ódio contra Cristo só aumentou — ao ponto de a multidão, rejeitando-O, chegar a crucificá-Lo. Seu jugo era suave, mas, para corações pecaminosos, rebeldes, teimosos e carregados pelo pecado, a exigência de ir a Ele era grande demais. O convite foi desprezado. A sua salvação foi rejeitada. Os homens amaram mais as trevas do seu próprio pecado do que o fulgor da glória de Cristo. E assim, por sua rejeição incrédula ao senhorio dEIe, condenaram-se a si mesmos.

Extraído de: http://www.oprincipaldospecadores.com/

MONERGISMO

Por: A. W. Pink

Sabemos que as pessoas mortas em pecado não podem vivificar-se a si mesmas espiritualmente. Nós não fizemos nada a respeito de nosso nascimento físico, e do mesmo modo não podemos fazer nada em relação com o nosso nascimento espiritual. Segundo João 5:24, este nascimento novo significa "passar de morte para a vida". Uma pessoa espiritualmente morta não pode vivificar-se a si mesma, tal como uma pessoa fisicamente morta também não pode ressuscitar-se. João 6:63 diz: "O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita". (Outros textos que afirmam o mesmo ponto são: João 1:13; 5:21; 3:5-6; Tiago 1:18; 1 Pedro 1:23; Efésios 2:5, etc.). porém, fica claro que o Espírito Santo não dá a nova vida a todos.

Por que não? A resposta comum a esta pergunta é que nem todos confiam em Cristo. Muitos dirão que o Espírito Santo só dá a vida espiritual às pessoas que acreditam primeiro em Cristo. Mas esta resposta coloca as coisas numa ordem errada. Não é a fé a que conduz à vida espiritual, mas a nova vida espiritual que nos é concedida traz com ela a fé. A fé salvadora não é algo que temos por natureza. 2 Tessalonicenses 3:2 diz que nem todos os homens têm fé. Efésios 2:1 diz que por natureza estamos mortos em nossos delitos e pecados. Então, se estamos espiritualmente mortos, não podemos ter fé, porque a gente morta não pode crer em nada.

A Bíblia ensina claramente que a obra do Espírito Santo de dar vida espiritual acontece antes que tenhamos fé em Cristo. (Ou seja, que a regeneração precede à fé ou, em outras palavras, a fé vem como resultado do novo nascimento). Em 2 Tessalonicenses 2:13 diz: "...por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade". Aqui nos fala que os Tessalonicenses tinham sido eleitos e foram "apartados" ou "separados" pelo Espírito Santo antes que cressem na verdade. A palavra santificação neste versículo tem o significado de "separar" ou "pôr aparte para os usos de Deus". então, que significa aqui ser "apartado" pelo Espírito Santo? Imagine que 100 pessoas escutam o evangelho da salvação pela fé em Cristo; mas só uma pessoa crê. Esta pessoa tem nascido de novo espiritualmente e agora tem nova vida. Tem sido "apartada" ou "separada" das outras 99 que não acreditaram. Assim, 2 Tessalonicenses 2:13 nos explica que as pessoas que Deus tem escolhido são afastadas pelo Espírito Santo a fim de que creiam a verdade.

( Esta obra do Espírito Santo de colocar aparte é comumente denominada "o chamamento eficaz", porque é um chamamento especial que o Espírito Santo realiza nos escolhidos, assegurando que se arrependam e acreditem em Cristo).

A ordem das coisas é muito importante. primeiro, Deus escolhe; segundo, ocorre o chamamento do Espírito Santo ao "chamar" ou "separar" (santificar) os escolhidos; e por último, vem a fé na verdade. Esta é a mesma ordem assinalada em 1 Pedro 1:2, que diz assim: "Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência..." (Ou seja, para a obediência do evangelho). Antes que cheguemos a crer em Cristo, tem que suceder primeiro a obra do Espírito afastando-nos, e ainda antes disso é a eleição de Deus.

Assim sendo, podemos ver que a obra do Espírito Santo é uma parte necessária do plano de Deus para o seu povo. Se Deus somente tivesse dado a Cristo para morrer pelos pecadores, nenhum pecador teria sido salvo. A obra do Espírito Santo é vital. O Espírito tem que obrar primeiro no coração antes que qualquer pecador possa ver a sua necessidade de ser salvo do pecado. Os pecados necessitam ser renascidos e capacitados com uma disposição nova para poder receber a Cristo. Ou seja, sem esta obra do Espírito Santo ninguém acreditaria. Embora o evangelho da salvação fosse predicado repetidas vezes, ninguém acreditaria em Cristo sem a obra do Espírito Santo em seus corações. Por que é assim? Devido a que por natureza toda pessoa odeia a Deus e não está disposta a se arrepender nem a acreditar em Cristo.

Portanto, é devido a que o Espírito Santo opera no coração dos escolhidos que estes crêem.

Tem começado Deus o Espírito Santo a trabalhar em seu coração? É você um crente em Cristo Jesus? Deseja ser um crente? Ouça! Se você deseja crer em Jesus Cristo, algo o tem feito diferente de todos aqueles que rejeitam vir a Cristo. O fato de que você procura a salvação em Cristo Jesus é uma evidência de que o Espírito Santo está chamando você.
Não significa isto então que você é uma das pessoas pelas quais Cristo morreu?
Pense nisso!

TEXTOS BÍBLICOS:

Filipenses 2:12-13: "De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade".

2 Tessalonicenses 2:13: "Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade"

Lucas 10:21-22: "Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. Tudo por meu Pai me foi entregue; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar".

João 6:37: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora".

2 Timóteo 1:9: "Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos".

Extraido de: http://www.oprincipaldospecadores.com

O GOZO DE SABER QUE DEUS É DEUS - JOHN PIPER

Deus pode ser impressionado pelo homem?

O esforço humano nunca pode impressionar um Deus onipotente, e a grandeza dos homens jamais pode impressionar um Deus de grandeza infinita. Isto é má notícia para aqueles que competem com Deus, mas boa notícia para aqueles que querem viver pela fé.

O Salmo 147 é uma emocionante declaração de esperança para um povo que desfruta do gozo e certeza de que Deus é Deus. O salmista afirma: "Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome" (v. 4). Ora, isto é mais do que podemos apreender! "Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir" (SI 139.6).

A Terra, onde vivemos, é um pequeno planeta que gira em torno de uma estrela chamada Sol, que tem o volume um milhão e trezentas vezes maior do que o da Terra. Existem estrelas milhões de vezes mais luminosas do que o Sol. Existem aproximadamente cem bilhões de estrelas em nossa galáxia, a Via Láctea, que tem cem mil anos-luz de extensão. (Um ano-luz equivale a 299.792.458 km/s.) O Sol viaja a 249 km/s, e, por isso, seriam necessários, duzentos milhões de anos para que o sol cumprisse apenas uma órbita em volta da Via Láctea. Existem milhões de outras galáxias além da nossa.

Agora, ouça novamente: o Salmo 147 afirma que Deus conta o número de todas as estrelas. Não somente isso, afirma também que Ele as chama pelo nome que lhes deu, tal como se faz a animais de estimação. Você os olha, observa suas características e chama-os por algum nome que se enquadre nas diferenças. Quando cantamos o hino "Let Ali Things Now Living", de Katherine Davis, eu sorrio com grande satisfação quando chego às palavras:

Ele estabelece a sua lei:
As estrelas, em seus cursos,
O Sol, em sua órbita,
Resplandecem obedientemente.


Sim, eu penso, "obedientemente" é a palavra correta! O sol tem um nome na mente de Deus. Ele chama o sol por seu nome, diz a ele o que fazer e ele obedece. E assim o fazem trilhões de estrelas. (Assim como todos os elétrons, em todas as moléculas dos elementos das estrelas e dos planetas, incluindo os elementos que se encontram nas guelras de um tubarão que vive embaixo das rochas, na costa da ilha de Rhode.)

Ora, o que impressionaria um Deus como este? Salmo 147.10-11 nos mostra com clareza:

Não faz caso da força do cavalo, nem se compraz
nos músculos do guerreiro. Agrada-se o SENHOR dos
que o temem e dos que esperam na sua misericórdia.


Imagine um levantador de peso, nas Olimpíadas, que se orgulha de haver levantado duzentos e vinte e cinco quilos. Ou imagine algum cientista se orgulhando de que descobriu como uma molécula é afetada por outra. Não precisamos ser gênios para saber que Deus não se deixa impressionar por essas coisas.

As boas-novas para aqueles que desfrutam do gozo de saber que Deus é Deus é que Ele tem prazer nessas pessoas. Deus se agrada daqueles que esperam no imensurável poder dEle. Não é uma coincidência literária o fato de que os versículos referentes a outro aspecto da grandeza de Deus (nos versículos 4 e 5), mostram-No cuidando do fraco (vv. 3 e 6):

3 - sara os de coração quebrantado e lhes pensa as feridas.
4 - Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome.
5 - Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir.
6 - O SENHOR ampara os humildes e dá com os ímpios em terra.


Oh! que prenda a nossa atenção a verdade de que Deus é Deus e trabalha onipotentemente em favor daqueles que esperam nEle (Is 64.4), bem como na sua misericórdia (SI 147.11) e O amam (Rm 8.28). Ele ama ser Deus para os fracos e desamparados, que O buscam para tudo o que necessitam.

Extraído de: http://www.ocristaohedonista.com

CRISTO MORREU POR NÓS OU POR DEUS? - JOHN PIPER

Autor:John Piper

“A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:25-26)

Introdução

Uma das razões que torna difícil comunicar a realidade bíblica às pessoas modernas e seculares é que a mentalidade bíblica e a mentalidade secular se movem de pontos de partida radicalmente diferentes.

O que eu quero dizer por mentalidade secular não é necessariamente uma mentalidade que rejeite a Deus ou que negue em princípio que a Bíblia seja verdadeira. É uma mentalidade que começa com o homem como a realidade básica no universo. Todo o seu pensar começa com a suposição de que o homem tem direitos básicos, necessidades básicas e expectativas básicas. Então, a mente secular se move a partir deste centro e interpreta o mundo, com o homem, seus direitos e necessidades, como a medida de todas as coisas.

O que a mentalidade secular vê como problemas são vistos como problemas por causa de como tais coisas se ajustam ou não com o centro - o homem e seus direitos, necessidades e expectativas. E o que esta mentalidade vê como sucessos são vistos como sucessos porque eles se ajustam ao homem e seus direitos, necessidades e expectativas.

Esta é a mentalidade com a qual nascemos e que toda a sociedade secular reforça virtualmente em cada momento de nossas vidas. O Apóstolo Paulo chama esta mentalidade de “a inclinação da carne” (Romanos. 8:6-7), e diz que este é o modo que a “pessoa natural” pensa (1 Coríntios 2:14, tradução literal). Ela está tão arraigada a nós que dificilmente sabemos que está lá. Nós apenas temos sua presença como certo - até que colida com outra mentalidade, a saber, a exposta na Bíblia.

A mentalidade bíblica não é uma que simplesmente inclui Deus em algum lugar no universo e afirma que a Bíblia é verdadeira. A mentalidade bíblica começa com um ponto de partida radicalmente diferente, isto é, Deus. Deus é a unidade básica no universo. Ele estava lá antes que nós viéssemos à existência - ou antes que qualquer outra coisa existisse. Ele é simplesmente a realidade mais absoluta.

E assim, a mentalidade bíblica começa com a suposição de que Deus é o centro da realidade. Todo o pensamento começa com a suposição de que Deus tem direitos básicos como o Criador de todas as coisas. Ele tem metas que se adequam à sua natureza e caráter perfeito. Então a mentalidade bíblica se move deste centro e interpreta o mundo, com Deus, seus direitos e objetivos, como a medida de todas as coisas.

O que a mentalidade bíblica vê como problemas básicos no universo não são normalmente os mesmos problemas que a mentalidade secular vê. A razão para isto é que o que faz algo ser um problema não é, primeiramente, o fato dele não se ajustar aos direitos e necessidades humanas, mas sim o de não se adequar aos direitos e objetivos divinos. Se você começa com o homem, seus direitos e vontades, em lugar de começar com o Criador, seus direitos e objetivos, os problemas que você verá no universo serão muito diferentes.

O enigma básico do universo é como preservar os direitos humanos e resolver seus problemas (diga-se, o direito de autodeterminação, e o problema de sofrimento)? Ou é: como um Deus infinitamente digno, em completa liberdade, pode exibir a plenitude de suas perfeições – o que Paulo chama de “riquezas da sua glória” (Romanos 9:23) - sua santidade, poder, sabedoria, justiça, ira, bondade, verdade e graça?

Como você responde a tal pergunta irá afetar profundamente o modo como você entende o evento central da história humana – a morte de Jesus, o Filho de Deus.

Eu introduzi nosso texto (Romanos 3:25-26) com esta longa meditação sobre o poder de nossos pontos de partida, porque o mais profundo problema ao qual a morte de Jesus foi designada para resolver é virtualmente incompreensível à mentalidade secular. É por isso que esta verdade a respeito do propósito da morte de Cristo é raramente conhecida, para não dizer apreciada, como parte da devoção evangélica cotidiana. Nossa mentalidade cristã é tão tendenciosa e marcada pela centralização do homem natural e secular que dificilmente podemos compreender ou amar a centralidade em Deus da cruz de Cristo.

“O Significado Profundo da Cruz”

Nosso enfoque está muito limitado. Nós iremos afundo no assunto de justificação, reconciliação e perdão como o início e a fundação de tudo isso. E.B. Cranfield chama “o significado profundo da cruz” (The Epistle to the Romans, Vol. 1, I.C.C., Edinburgh: T.&T. Clark, 1975, p. 213).

O que você deve compreender ao ler este texto é o problema no universo que a mentalidade bíblica (a mentalidade de Deus) está tentando resolver por meio da morte de Cristo. Como isto difere dos problemas que a mentalidade secular diz que Deus tem de resolver?

“A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos” (Romanos 3:25)

Reduza isso ao problema mais básico ao qual a morte de Cristo se propõe a resolver. Deus propôs Cristo (ele lhe enviou para morrer) para demonstrar sua retidão (ou justiça). O problema que carecia de uma solução era que Deus, por alguma razão, parecia ser injusto, e quis exaltar e limpar seu nome. Este é o tema base. A retidão de Deus está em jogo. Seu nome, reputação ou honra devem ser vindicados. Antes que a cruz possa ser por nossa causa, deve ser por causa de Deus.

Mas o que criou aquele problema? Por que Deus enfrentou o problema de precisar dar uma demonstração pública de sua retidão? A resposta está na última frase de versículo 25: “por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”.

O que isso significa? Significa que durante séculos Deus continuou fazendo o que o Salmo 103:10 diz: “[Deus] Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas iniqüidades”. Ele tinha ignorado milhares de pecados. Ele os tinha perdoado, lhes permitindo continuar, não os castigando.

Como o Davi Desprezou Deus

O Rei Davi é um bom exemplo. Em 2 Samuel 12, ele é confrontado pelo profeta Natã por cometer adultério com Bateseba e matado seu marido. Natã diz: “Por que desprezaste a palavra do SENHOR?” (2 Samuel 12:9).

Davi sente a repreensão de Natã, e no versículo 13 diz: “Pequei contra o Senhor”. A isto Natã responde: “Também o SENHOR traspassou o teu pecado; não morrerás” (ARA). Apenas isso! Adultério e assassinato são “ignorados”. É quase incrível. Nosso senso de justiça urge: “Não! Você não pode apenas o deixar ir assim. Ele merece morrer ou ser aprisionado por toda sua vida!” Mas Natã não diz isso. Ele diz: “Também o SENHOR traspassou o teu pecado; não morrerás”.

Por que o Perdão é um Problema?

Isso é o que o Paulo quer dizer em Romanos 3:25 com por deixar de lado os pecados cometidos. Mas por que isso é um problema? É percebido como um problema pela mentalidade secular - que Deus é bondoso para com os pecadores? Quantas pessoas fora do escopo da influência b íblica lutam com o problema de um Deus santo e íntegro que faz o sol nascer para maus e bons, e envia chuva para justos e injustos (Mateus 5:45)? Quantos lutam com a aparente injustiça de Deus ser indulgente para com os pecadores? Quantos dos cristãos lutam com fato de ser seu próprio perdão uma ameaça à retidão de Deus?

A mentalidade secular não consegue avaliar as situações do modo como a mentalidade bíblica o faz. Por que isso? Porque a mentalidade secular inicia seu pensamento de um ponto de partida radicalmente diferente da bíblico. Não começa com os direitos de Criador inerentes a Deus - o direito de ostentar e exibir o valor infinito de sua retidão e glória. Ela começa com o homem e assume que Deus se moldará aos nossos direitos e desejos.

O Pecado é um Depreciador da Glória de Deus

Veja o versículo 23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. O que está em jogo em meio ao pecado é a glória de Deus. Quando Natã confronta Davi, ele cita Deus como que dizendo: “Por que você me desprezou?” Nós poderíamos imaginar Davi respondendo: “O que você quer dizer com ‘eu o desprezei'? Eu não o desprezei. Eu nem mesmo estava pensando em você. Apenas me interessei por esta mulher e então me apavorei com a possibilidade de outros descobrirem. Seu nome nem mesmo foi citado”.

E Deus teria dito: “O Criador do universo, o arquiteto do matrimônio, a fonte da vida, aquele que a tua existência, aquele que te fez rei - sim, eu, o Senhor, não estava nem mesmo na cena! Está certo, Davi. Isso é exatamente o que eu quero dizer. Você me desprezou”. Todo o pecado é um desprezo a Deus, antes mesmo de ser um dano ao homem. Todo o pecado é uma preferência aos prazeres passageiros do mundo à alegria perpétua do companheirismo de Deus. Davi rebaixou a glória de Deus. Ele depreciou o valor de Deus. Ele desonrou o nome do Senhor. Esse é o significado de pecado – o erro de não amar a glória de Deus acima de tudo mais. “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.

Portanto, o problema quando Deus ignora o pecado é que ele parece concordar com esses que desprezam seu nome e depreciam a sua glória. Ele parece estar dizendo que é uma questão indiferente que sua glória que seja menosprezada. Ele parece tolerar a baixa estipulação de seu valor.

O Insulto de Absolver os Anarquistas

Suponhamos um grupo de anarquistas com o intuito de assassinar o Presidente dos Estados Unidos e todo o seu gabinete, e quase tenham sucesso. Suas bombas destroem parte da Casa Branca e matam algumas pessoas, mas o Presidente por pouco consegue escapar. Os anarquistas são presos e o tribunal os condena. Entretanto os anarquistas dizem que estão arrependidos, e assim, o tribunal suspende sua sentença e os liberta. Agora, o que tal atitude comunicaria ao resto do mundo a respeito do valor da vida do Presidente e de seu governo? A mensagem transmitida seria que eles são de pouco valor.

É isso que o ignorar dos pecados comunica: a glória de Deus e seu íntegro governo são de valor ínfimo, ou mesmo de nenhum valor.

Aparte da revelação divina, a mente natural – a mente secular - não vê ou sente tal problema. Que pessoa secular perde seu sono pela aparente injustiça de ser Deus benigno para com os pecadores?

Mas, de acordo com Romanos, este é o problema mais básico que Deus resolveu pela morte de seu Filho. Leiamos novamente: “ara manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente...” (vv. 25b-26a) Deus seria injusto se ele ignorasse os pecados como se o valor de sua glória fosse nulo.

Deus viu a sua glória sendo desprezada por pecadores (como Davi) - ele viu seu valor depreciado e seu nome desonrado por nossos pecados - e em lugar de vindicar o valor de sua glória matando seu povo, ele vindicou sua glória matando o seu Filho.

Deus poderia ter quitado o débito condenando todos os pecadores ao inferno. Isto teria demonstrado que Ele não minimiza nossa carência da sua glória - nosso depreciar de sua honra. Mas Deus desejou nos destruir. “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3:17).


Nós Conhecemos (e Partilhamos!) a mais profunda paixão de Deus?

Isso verdade, nós bem sabemos. Sabemos que Deus é por nós. Sabemos que nossa salvação é o objetivo da vinda de Jesus. Mas nós conhecemos os alicerces de tudo isso? Sabemos que há um objetivo ainda mais profundo no envio do Filho? Sabemos que o amor de Deus para conosco depende de um amor ainda mais profundo, isto é, o amor de Deus por sua glória? Sabemos que a paixão de Deus para salvar os pecadores reside em uma paixão ainda mais intensa, isto é, a paixão de Deus para vindicar sua própria retidão? Nós temos consciência de que a realização da nossa salvação não está centrada em nós, mas na glória de Deus? A vindicação da glória de Deus é o fundamento de nossa salvação (Romanos 3:25-6), e a exaltação da glória de Deus é o objetivo de nossa salvação. “Cristo foi feito ministro da circuncisão ... para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia” (Romanos 15:8-9).

Pode a auto-exaltação ser um Ato de Amor?

Alguém poderia perguntar: “Como pode ser amoroso Deus se auto-exaltar na obra da cruz? Se ele está realmente exaltando sua própria glória e vindicando a própria retidão, então como a cruz é realmente um ato de amor por nós?”.

Temo que a pergunta esteja presa a uma mentalidade secular comum, com o homem no centro. Ela assume que, para que sejamos amados, Deus tem que nos tornar o centro. Ele tem que destacar nosso valor. Se nosso valor não é acentuado, então não somos amados. Se nosso valor não é a base da cruz, então não somos estimados. A suposição de tal questionamento é que a exaltação do valor e da glória de Deus acima do homem não tem a mesma essência que o amor de Deus para com o homem.

Porém, a mentalidade bíblica afirma o exato oposto. A cruz é o apogeu do amor de Deus para com os pecadores, não porque demonstra o valor dos pecadores, mas porque vindica o valor de Deus para alegria dos pecadores. O amor de Deus pelo homem não consiste em fazer do homem o centro, mas de tornar a si mesmo centro para o homem. A cruz não dirige a atenção do homem para seu próprio valor, mas para a retidão de Deus.

Isto é amor, pois a única felicidade eterna para o homem é a felicidade focada nas riquezas da glória de Deus. “Na tua presença há plenitude de alegria; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Salmo 16:1 1). A auto-exaltação de Deus é amor, porque nos preserva e nos oferece o único Objeto de desejo capaz de nos satisfazer por completo - o Deus todo-glorioso, o Deus todo-justo.

Por que a Cruz é Loucura?

A razão primária do porquê a cruz é loucura para o mundo é que ela significa o fim da auto-exaltação humana, e um compromisso radical para com a exaltação divina. Não – “compromisso” não é exatamente a palavra certa. Antes, a cruz é um chamado à “exultação” radical na exaltação de Deus. A cruz é a morte da nossa demanda para sermos amados e feitos o centro. E ela é o nascimento da alegria em fazer de Deus o centro.

Como a Cruz é sua Alegria?

Teste a si mesmo. Qual é a sua mentalidade? Você começa com Deus, seus direitos e objetivos? Ou você começa com você mesmo, seus direitos e desejos?

E quando você olha para a morte de Cristo, o que acontece? Sua alegria realmente brota a partir de uma tradução desta impressionante obra divina num incentivo para a auto-estima? Ou você é tomado para fora de si mesmo e se enche de reverência e adoração ao ver aqui, na morte de Jesus, a declaração mais profunda e clara da estima infinita de Deus por sua glória e por seu Filho?

Aqui está um grande fundamento objetivo pra a plena certeza da esperança: o perdão dos pecados está fundamentado, finalmente, não em meu trabalho ou valor finito, mas no valor infinito da retidão de Deus - a inabalável determinação de Deus em sustentar e vindicar a glória do seu nome.

Eu imploro a você, com todo meu coração, permaneça nisto. Baseie sua vida sobre isto. Alicerce sua esperança nisto. Você será livre da mentalidade fútil do mundo. E você nunca cairá. Enquanto a exaltação divina de Deus em Cristo for sua alegria, isso nunca lhe conduzirá ao fracasso.

Extraido de: http://bereianos.blogspot.com/

segunda-feira, 21 de junho de 2010

LIBERALISMO: A PIOR ENFERMIDADE QUE PODE ACOMETER UMA IGREJA

Por Antonio C. Costa

O liberalismo é a pior enfermidade que pode acometer a vida de uma igreja. Não há paralelo na história do cristianismo para esse tipo de mal, capaz de descaracterizar por completo a fé cristã. Sem dúvida, é outra religião. Por onde passou, deixou rastro de devastação. Pelos frutos se conhece a árvore. Olhe para o cenário espiritual europeu.

Pode-se perceber que uma igreja se tornou liberal não apenas por aquilo que prega, mas também por aquilo que deixa de pregar. Pode acontecer de não se detectar faltas graves nos ensinamentos desses homens, porém, quem conhece teologia e teme a Deus, observará com clareza, que esses falsos profetas não pregam certas doutrinas -eminentemente cristãs e protestantes-, mas odiadas por eles.

No púlpito liberal, por exemplo, não se ouvirá nada sobre, inerrância e inspiração das Sagradas Escrituras; morte de Cristo como propiciação pelos nossos pecados; necessidade de arrependimento e fé no sacrifício de Cristo para a redenção do pecador; juízo final, como resposta inevitável da santidade divina ao desamor humano; igreja pura, que não negocia a verdade em nome do amor ecumênico. Interessante observar, que eles põe forte ênfase no compromisso social da igreja, mas pouco fazem. Na verdade, porque não crêem no que pregam. Seus cultos são bastante tradicionais, revelando um conservadorismo freudiano -verdadeira compensação para as inverdades que ensinam e pecados que praticam.

Há pastores sagazes o suficiente para saber que, se pregarem na igreja o que pregam na academia, morrerão de fome. Creio que, na maioria dos casos, esses homens estão em busca de uma teologia que justifique sua forma de viver. Há um forte componente sexual na elaboração desses sistemas teológicos, fidelíssimos ao racionalismo iluminista do século 19. Escravos de um universo intelectual socialmente construído, posto hoje em descrédito por uma nova linha de pensamento, que arrasou com alguns dos seus fundamentos, chamada de pós-modernidade.

O liberal tenta destruir o fundamento da esperança cristã. Um membro de igreja liberal, preso numa cama aguardando a morte, tem como fonte de consolação uma bíblia - segundo a teologia liberal, repleta de erros -, tornando-se entregue, portanto, ao arbítrio e desespero humanos, que faz o moribundo catar num mar de incertezas, umas poucas verdades, que talvez possam trazer sentido para o seu desespero.

Andar com Cristo é andar na luz e servir a um Deus que nos permite dizer: eu sei em quem tenho crido. Não vejo sentido em Deus contemplar o ser humano no seu desespero metafísico e moral, e lhe dar como resposta, um livro repleto de erros. É isso o que a teologia liberal ensina, e por isso deve ser reprovada por aqueles que crêem na veracidade de Deus.

Creditos:
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