terça-feira, 27 de julho de 2010

O CHAMADO À ADORAÇÃO

Por William Shishko

Jesus nos chama da adoração
das riquezas vãs do mundo
de cada ídolo que nos impediria,
dizendo, “cristão, ame-me mais” (Jesus Calls Us, estrofe 3)

O mundo nos chama às suas várias formas de adoração todos os dias. Anúncios nos chamam a gastar o nosso dinheiro (a adoração de Mamon). De várias formas, somos chamados a dar o nosso tempo aos esportes, televisão e outras diversões (a adoração do prazer). Podemos planejar as coisas de tal forma que nos tornamos o centro das nossas vidas (a adoração do eu). O chamado para adoração no culto do Dia do Senhor é designado para nos afastar de todas as outras adorações, para que nos foquemos no Deus vivo e verdadeiro. Quando você vai adorar no domingo pela manhã, você pode estar preocupado com alguma coisa no percurso de carro. Você pode se sentir estressado após levar as crianças ao banheiro, alimentá-las rapidamente, deixá-las na sala de escola bíblica, e subir (em tempo!) ao auditório. Você pode estar cansado de uma semana movimentada. Pode estar mal-humorado por inúmeras razões. O chamado à adoração convida você a colocar todas essas coisas de lado, e entrar solene e alegremente no alto privilégio da adoração. Deus mesmo, através do seu ministro, chama você a dar-lhe a glória que é devida ao seu nome. Ouça cuidadosamente as palavras do chamado à adoração:

“Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor” (Sl. 100:4).
“Adorai o SENHOR na beleza da santidade” (Sl. 29:2).
“Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque fez maravilhas” (Sl. 98:1).
“Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos” (Sl. 95:6).

Então, regozije-se no fato que seu Criador e Redentor te chamou para que você se una a outros no mais alto chamado para aqueles que foram criados à sua imagem e salvos por sua graça. “Exaltai ao SENHOR nosso Deus e adorai-o no seu monte santo, pois o SENHOR nosso Deus é santo” (Sl. 99:9).


Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Extraído de: www.monergismo.com.br

terça-feira, 20 de julho de 2010

O DEUS DA CRIAÇÃO

Texto: Genesis 1: 1-31

Introdução

- Gênesis é um nome tomado do grego; significa "o livro da geração ou das origens"; chama-se assim apropriadamente pois contém o relato da origem de todas as coisas. Ele foi escrito por Moises por volta de 1500 a. C. As evidência internas (profetas, Jesus e seus apóstolos) e externas (os costumes antigos), asseguram que Moises de fato foi quem escreveu Gênesis. A narração do Gênesis não foi, portanto, redigida em moldes científicos, talvez para melhor mostrar a sua inspiração divina. Com toda a certeza Moises fora inspirado pelo Espírito Santo e consequentemente todos os relatos sobre a criação foram dados a ele por Deus.
- Neste magnifico livro temos um dos ensinos de grande importancia para o cristianismo e todo o mundo, que o universo teve um inicio, não como afirma muitos cientistas e filósofos. O universo teve um inicio, isso todos sabemos, é um fato cientifico. A Segunda Lei da Termodinâmica afirma que "o total da energia utilizável no universo está diminuindo.
1. De acordo com esta lei, o universo está decaindo. Sua energia está sendo transformada em calor, que não é utilizável. Sendo assim, o universo não é eterno, porque, se o fosse, a sua energia utilizável já se teria esgotado há muito tempo. Ou, em outras palavras, se o universo está se desfazendo (tendo a sua energia degradada), então houve um tempo em que toda a energia foi feita. Se houvesse uma quantidade infinita de energia, ela não estaria decaindo no universo. Portanto, o universo teve um princípio, tal como Gênesis 1:1 diz.
- Nada neste universo apareceu sem causa. O universo teve um princípio, ou existe porque se criou a si mesmo, ou ele deve sua existência a alguma causa externa; ou acreditamos que tudo veio a existir através de uma grande explosão, ou acreditamos num ser que é maior do que tudo e trouxe tudo que vemos hoje a existência.
- As vezes fico (eu) a pensar, para se acreditar nesta teoria da evolução tem que ter muita fé mesmo, pois é uma teoria que vai de encontro com a própria razão. Como uma grande explosão (como dizem os defensores da teoria cientifica do Big-Bang) poderia causar tanta ordem no universo? A lógica é que uma explosão causa mais caos e não ordem.
Tese: A Bíblia indica que o universo teve sua origem em uma causa externa, que é Deus (Gn 1:1). As Escrituras põe Deus no centro, e seu capítulo primeiro não apresenta tanto uma doutrina sobre a criação, mas antes, a doutrina do Criador. Todas as coisas aqui aparecem em sua relação para com Deus e na dependência d’Ele. Diante disso podemos fazer quatro afirmações:

I. Em primeiro lugar,Deus criou o universo – v. 1
(a). Deus é causa de todas as coisas, pois por meio de sua palavra do nada fez tudo que existe – Hb. 11: 3
1. A palavra criar no hebraico “bara” originariamente significa cortar, separar, para indicar a ação divina de trazer à existência algo inteiramente novo, ou seja, a produção dum ser, completamente novo, que antes não existia.
i. Isso indica que Ele deu origem a tudo que existe, por que Ele é antes de todas as coisas – v. Cl. 1: 17
ii. Isso indica também que Ele é eterno, e sempre existiu. E este universo em que nós vivemos, é sua criação.
i. O Sl. 90: 2 afirma: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”.
iii. Ele criou o universo e criou o tempo.
i. Dessa maneira, o tempo não tem existência por si só, mas sempre depende de Deus para continuar existindo, assim como foi criado pelo próprio Arquiteto do universo. Por esta razão afirmamos que o nosso Deus não está sujeito as próprias leis que criou.
ii. Este nosso mundo é caracterizado por suas limitações. Nós somos sujeitos ao esquema tempo e espaço. O tempo não impõe limites a Deus. O tempo não tem efeito sobre as perfeições, os propósitos ou promessas de Deus. O tempo não ensina nada a Deus, não acrescenta mais nada ao ser de Deus. Ele conhece todas as coisas passadas, presentes e futuras.
i. Esta é a razão pela qual eu posso afirmar sem nenhuma dúvida que DEUS EXISTE. Ele não teve princípio e nem fim e você e eu, um dia prestaremos contas a Ele dos nossos atos.
(b). Deus fez todas as coisas conforme o conselho da sua vontade (Ef. 1: 11), como lhe agrada (Sl.115:3), como lhe aprouve (Sl.135:6), sendo todos os seus atos livre como são, a manifestação do seu soberano poder e da sua infinita sabedoria (Pv. 3: 19; Rm. 11:33).
1. Jeremias 10: 12 diz: “O SENHOR fez a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus.”
2. A Bíblia também declara que a criação é o resultado da vontade e do poder criador de Deus, revelando aspectos de sua grandeza:
a. “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o principio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” – Rm. 1: 20
b. “todas as coisas tu criastes, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” – Ap. 4: 17
c. “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o universo veio a existir das coisas que não aparecem”. – Hb. 11: 3
3. A Bíblia ainda declara que a Deus não teve nenhuma necessidade de ter criado o mundo, pois ele é auto-suficiente, mas criou o mundo e os homens para o proposito de revelar no futuro a sua multiforme sabedoria – Ef. 3: 9-10
• A criação do universo e do homem são atos de graça espontânea e não exigências do ser de Deus.
1. Nosso valor e significado finais se encontram, desta forma, na glória de Deus (Ef. 1: 12).
a. “É para Deus, acima de tudo, que nascemos e não para nós mesmos” – João Calvino.
• Nós existimos por causa dele, para louvor da sua glória (Ef. 1: 6). O fim principal do homem é Glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Daí concluímos que, existimos para glorificá-lo e para nos alegrarmos nele. Ele nos criou para que nós tivéssemos prazer Nele.
o Quando compreendermos isso entenderemos o sentido da vida.
• O que precisa ficar esclarecido na nossa mente é que, embora os propósitos de Deus certamente tenham como alvo e busquem a sua glória, também visam o bem-estar eterno do homem.

II. Em segundo lugar,Deus revelou-se como o Deus Trino na criação – v. 2b, 3, 26.
(a). Temos aqui uma referencia a Santíssima Trindade.
1. O texto de gênesis diz que o “Espirito de Deus pairava sobre as águas” – v. 2
o A criação estava ainda a ser formada e o Espírito Santo estava lá.
 Está claro aqui que o Espirito Santo estava envolvido na criação dos céus e da terra.
 O Espírito de Deus dá vida a todos; quando ele retira seu Espírito, a vida cessa.
 È o Espírito Santo que produz vida no corações daqueles que estão mortos nos seus pecados e delitos.
 Foi o Espírito de Deus que enchou de habilidade, inteligencia e conhecimento e sabedoria muitas pessoas no A.T. – Ex. 28: 3; 35: 31
 Foi o Espírito Santo que gerou Jesus Cristo no ventre de Maria – Lc. 1: 35
 È o Espírito Santo que habita na igreja – 1Co. 3: 16; Ef. 2: 22
 È o Espírito Santo a terceira pessoa da Trindade Santissima. – 2Co. 13: 13
2. O texto de gênesis também afirma que foi pela palavra de Deus que trouxe tudo a existencia: “Disse Deus” – v. 3
o João nos diz que está palavra era Jesus que “no principio era o Verbo (palavra), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus..Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:1-3)
o Paulo assim com João afirma: “pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste” – Cl. 1: 16, 17.
 Esta claro aquiu também que o Filho estava envolvido no processo da criação, como a bendita palavra de Deus. V – 3
3. O texto de gênesis ainda faz mais uma afirmação em favor a doutrina da Trindade, quando diz no verso 26: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.
o Temos aqui nesta afirmação uma indicação da pluralidade dentro da unidade divina, aludindo à revelação posteiror do Novo testamento de Deus como Pai, Filho e Espirito Santo.
 O apóstolo João em sua carta diz: “Pois há três que dão testemnho (no céu: O Pai, a palavra, e o Espírito Sant; e estes três são um.” – 1Jo. 5: 7
 Por "Trindade" não queremos dizer que acreditamos em três deuses, pois para nós (cristãos) há somente um Deus (Is. 43: 10). Ao invés disso, queremos dizer que na Divindade há três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
• Três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo, O Pai não é de ninguém - não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.
• O Pai é a fonte de todas as coisas (Rm. 11: 36). O Filho é Aquele através de quem as coisas são construídas (Hb. 1: 2). O Espírito Santo é Aquele através de quem todas as coisas alcançam o seu destino final (Ef. 1: 14; 2: 18; 4: 4).
• A doutrina da Trindade e o Cristianismo estão inseparavelmente unidos. A vida eterna está envolta neste conhecimento. Vejam o que diz João: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo. 17:3).
• Deus, pelo Seu Espírito, revelou o conhecimento através do qual, no poder do Espírito regenerador, uma pessoa é capaz de conhecer o Pai e o Filho: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (1Co. 2: 10).
Aplicação - Na Bíblia, Deus é chamado de justo e o Justificador de nossos pecados (Rm 3: 23-26), precisamente porque ele é mais do que uma pessoa. Por causa da pluralidade de pessoas, o Deus Triúno pode ser o Santo Juiz sem se comprometer, o Cordeiro sacrificial que morreu em meu lugar e o Espírito santificador que atua em mim. Por esta razão podemos declarar: Glória sempre seja dada ao Pai; Glória ao Filho e ao Santo Espírito. Um só Deus, supremo e redentor, Por todos os tempos sem fim. Amém.

III. Em terceiro lugar, Deus trouxe ordem ao que estava sem forma e vazio – v. 2-26
(a). Observe que, no princípio, nada desejável havia para ver, por que o mundo era sem forma e vazio. Mas Deus não criou a terra para ser um caos, mas para ser habitada – Is. 45:18
1. Isso indica que Deus é um Deus de ordem.
 Na criação é possível observar uma progressão ordenada do processo de cada novo dia: Luz, firmamentos, terra seca, luzeiros, vida marinha e aves, animais terrestre e o ser humano. Também é possível observarmos:
i. Obras de divisão: 1ª dia: luz; 2ª dia: ar e mar; 3ª dia: terra e plantas.
ii. Obras de adornos: 4ª dia: Sol, Lua, e Estrelas; 5ª dia: Alves e peixes; 6ª dia: animais e o ser humano
 Na criação é possível observar também diferenciação no ato da criação
i. O texto utiliza repetidas vezes o verbo separar, quando diz: “E separou a luz das trevas” (v. 4). A palavra hebraica usada aqui significa “fazer distinção entre”. A luz é distinta das trevas, a terra do mar, o dia da noite.
a. Na criação é possível ainda observar o conceito de prioridade – v. 16, 26
i. Gênesis um fala de governo e domínio. Há diferença de função, e algumas funções têm valor mais elevado ou maior prioridade.
o O maior para governar o dia, e o menor para governar a noite – v. 16
o Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre a terra e sobre todos os repteis que rastejam pela terra – v. 26
b. Na criação é possível observar diversidade
i. A vasta complexidade e as múltiplas formas de matéria inanimada e de vida são também reveladoras.
c. Em tudo que Deus criou encontramos coerência.
i. Por meio da alternância e da pulsação entre noite e dia e uma estação e outra, das divisões entre céu e terra a coerência de Deus é demonstrada claramente.
d. Na criação descobrimos prazer - “E Deus viu que tudo era bom”.
e. O primeiro capítulo de Gênesis repete esta frase, “e viu Deus que isso era bom”, cinco vezes (vv. 10, 12, 18, 21, 25), em adição ao resumo final no versículo 31.
i. Os atos criativos de Deus foram avaliados por Deus e achados como bons. Eles refletiam sua própria bondade e a correspondência entre seu plano, seus padrões de julgamento, sua palavra, e os resultados de sua Palavra, a criação.
ii. A criação foi totalmente boa porque era unicamente o produto da palavra soberana de Deus. Portanto, Deus imputou valor positivo à sua criação, pois a criou perfeita.
1. Tudo que você vê hoje infelizmente foi atingido pela queda. Mas quando Deus criou no inicio tudo era bom, no sentido de perfeição. Hoje a “criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou”....”a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” – Rm. 8: 20, 22
• Tudo que provém de Deus é bom. Os Seus decretos, a Sua criação, as Suas leis, as Suas providências. A bondade de Deus é manifestada em primeiro lugar na criação.
• Neste verso de Gênesis aprendemos que a preocupação principal do nosso Deus é com a sua gloria, “viu que tudo que ele fez era bom”. Deus aqui está louvando a Si mesmo!
• Do início ao fim a força motivadora do coração divino sempre foi ser honrado e glorificado. Da criação à consumação, sua determinação última era a si mesmo. Seu propósito contínuo em tudo o que faz é para exaltar a honra de seu nome e ser admirado por sua graça e poder. Ele é infinitamente zeloso por sua reputação. “Por amor de mim, por amor de mim o faço”, diz o Senhor. “Minha glória não darei a outro!”.
• Não é o homem que é o centro do universo, é Deus!
a. “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” - Rm 11: 36
Aplicação - Descobrimos aqui um Ser em quem podemos confiar, porque Ele de fato é coerente, pois criou o mundo para ser estável e equilibrado dentro de uma ordem. Descobrimos um Deus que sabe valorizar as coisas e por isso sempre escolhe fazer o que é, sob todos os aspectos, bom.
• Deus criou os seres humanos para a Sua glória. O alvo principal do ser humano é conhecer a Deus e glorificá-Lo. A glória de Deus deve ter prioridade sobre qualquer coisa que queiramos realizar. A Bíblia diz: “quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. (1Co. 10:31). Deus nos criou para reconhecer o Seu poder e majestade e viver à luz da Sua glória. Você não é independente em si mesmo, você é dependente de Deus.

IV. Em quarto lugar, Deus demonstrou que criou todas as coisas com propósito e amor – 26b-27
(a). Ele projetou o mundo com o propósito de presenteá-lo á mais sublime de suas criaturas: o ser humano, a coroa da sua criação.
1. A criação do homem foi o apogeu (clímax) da obra criadora de Deus.
a. A todas as outras coisas que foram criadas Deus disse: “Haja, povoem-se, produza, mas ao homem Ele disse: “façamos”
i. Esse verbo indica a obra grandiosa pela qual Deus estava para realizar.
ii. Esse verbo indica que o ser que Deus estava para criar era especial, diferente das outras coisas que foram criadas.
1. Ele criou o ser humano a sua imagem e semelhança
a. Imagem e semelhança significa que Deus criou o homem como um ser pessoal.
i. Deus é pessoal, e o homem feito a imagem dispõe dessa mesma personalidade.
ii. A personalidade indica que o homem é um ser dotado de consciência, conhecimento e responsabilidade.
b. Imagem e semelhança significa que Deus dotou o homem de espiritualidade.
i. O homem é extra-material, pois tem em si o elemento espiritual, que o impele a viver uma vida além da matéria.
ii. Quando Deus fez o homem à sua imagem, colocou nele um senso insuperável da eternidade – (Ec. 3: 11).
iii. A imagem de Deus nos faz pessoas espirituais capazes de se relacionar e se comunicar com Deus.
c. Imagem e semelhança também significa que Deus dotou o homem de liberdade.
i. Como um Ser pessoal e espiritual Deus é um Ser livre. Deus criou o homem para amar, conhecer, confiar desejar, obedecer, e também para ser recusar a fazer coisas.
ii. O que devemos salientar aqui, é que o homem como criatura é dependente de Deus. Está debaixo da direção de Deus. E como pessoa Deus lhe concedeu uma certa liberdade para agir e tem toda a responsabilidade por seus atos. Nós chamamos esta liberdade de livre agência e não de livre-arbítrio (por ser uma palavra inexistente na Bíblia).
1. O homem em hipótese alguma é livre de Deus e do seu controle.
a. Deus exerce controle constante e absoluto sobre todos os pensamentos e as ações dos homens, a conclusão necessária é que o ser humano não possui livre-arbítrio. Sua liberdade é zero em ralação a Deus.
2. O homem é livre num sentido relativo, ou livre em relação a outros seres e coisas (pessoas, objetos, forças etc) e não a Deus.
d. Imagem e semelhança ainda significa que Deus concedeu ao homem expressividade.
i. Deus tem a capacidade de se expressar, de fazer sua vontade conhecida e executá-la. A Bíblia diz que Deus tem olhos, nariz, boca, ouvidos, mãos cabelo, etc. Evidentemente que essa é uma linguagem figurada (antropomórfica – qualidade humanas aplicadas à divindade) para sugerir que ele consegue se expressar.
ii. O ser humano se expressa igualmente por meio de partes de seu corpo, e pode transmitir sua personalidade, espiritualidade, e virtudes.
iii. Este ser humano também fora criado para ser imitador do seu Criador. De que forma?
1. Dominando. Dominar é algo próprio de Deus, mas o homem que foi criado à imagem divina também tinha a função de dominar, numa clara imitação a Deus. Observem que uma das primeiras funções do homem foi dar nome aos animais (2: 19-20). Deus com isso estava estimulando a criatividade do ser humano. Deus queria que o homem fosse seu imitador, mas é claro com qualidade próprias.

Aplicação – Aqui temos o homem criatura finita, saído da mão criadora de Deus, e que anda pela terra. E apesar disso, este ser, tão insignificante como possa parecer à primeira vista, foi criado como a coroa da criação de Deus. Fora criado com inteligência, liberdade, expressividade, e é capaz de desfrutar uma relação pessoal com o Deus infinito, eterno e amoroso.

Conclusão
Concluímos que, essa grande verdade (Que Deus criou o universo) destrona a teoria da evolução, pois mostra a dignidade do ser humano. A teoria da evolução, da macro-evolução por sua vez, coloca a vida como sendo um acidente cósmico, e nós seres humanos, não passaríamos de “amebas” superdesenvolvidas. Para os defensores dessa teoria nada foi criado com um propósito, pois segundo eles as criaturas surgiram do acaso. Dessa forma a vida não tem nenhum sentido. Em lugar disso afirmamos que com toda a certeza e convicção, que verdadeiramente fomos criados pelas mãos do Supremo Criador, e aqui estamos para servi-lo e o adorá-lo para todo o sempre.


Pregação ministrada na Igreja Presbiteriana de Picuí, pelo Rev. Edvaldo Miranda

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Autor: Arthur W. Pink

"De fato sem fé é impossível agradar a Deus" (Hb. 11:6)"... mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé, naqueles que a ouviram" (Hb. 4:2).

A conexão entre estes dois versículos nos mostra como é vã toda a atividade religiosa onde não há fé. A atividade exterior deve ser realizada correta e diligentemente, mas a menos que a fé esteja em operação, Deus não é honrado e a alma não é edificada. A fé abre o coração para Deus, e fé é o que se recebe de Deus; não uma mera aceitação do que é revelado em Sua Palavra, mas um princípio sobrenatural de graça que existe no Deus das Escrituras. Isso o homem natural, não importa o quanto religioso ou ortodoxo ele seja, não tem e nenhum de seus esforços, nem atos da sua vontade , podem adquirir. É um dom supremo de Deus.

A fé deve operar em todas as atividades do cristão, se Deus há de ser glorificado e ele edificado. Primeiro, na leitura da palavra: "Estes, porém, foram registrados para que creiais" (Jo. 20:31). Segundo, no ouvir da pregação dos servos de Deus: "A pregação da fé" (Gl. 3:2). Terceiro, na oração: "Peça-a porém com fé, em nada duvidando" (Tg. 1:6). Quarto, na nossa vida diária: "Visto que andamos por fé, e não pelo que vemos" (2Co. 5:7) e "esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no filho de Deus" (Gl. 2:20). Quinto, em nossa partida deste mundo: "Todos estes morreram na fé" (Hb. 11:13).

O que o fôlego é para o corpo, a fé é para a alma, pois alguém que sem fé busca realizar ações espirituais, é como se colocasse uma mola em um boneco de madeira, fazendo-o mover-se mecanicamente.

Um professo não-regenerado pode ler as Escrituras e ainda assim não ter qualquer fé espiritual. Assim como o hindu devoto lê atentamente o Upanishad e o muçulmano o seu Alcorão, muitos países "cristãos" adotam o estudo da Bíblia e mesmo assim não tem mais da vida de Deus em suas almas do que têm os seus irmãos pagãos. Milhares nesta terra lêem a Bíblia, crêem na sua autoria divina e se tornam mais ou menos familiarizados com o seu conteúdo. Um mero professo pode ler vários capítulos diariamente e mesmo assim nunca compreender um único versículo. Mas a fé aplica a Palavra de Deus: ela proclama Suas terríveis ameaças e tremores diante deles; ela proclama Seus solenes avisos, e procura alertá-los; ela proclama Seus preceitos e clama a Ele por graça para andar neles.

Acontece o mesmo no ouvir da Palavra pregada. Um professo carnal se orgulhará de ter comparecido a esta ou aquela conferência, de ter ouvido aquele famoso professor e aquele renomado pregador e ter tido tanto proveito para a sua alma, quanto se nunca tivesse ouvido qualquer um deles. Ele pode ouvir dois sermões todo domingo e depois de cinqüenta anos ser tão morto espiritualmente como o é hoje. Mas o homem regenerado compreende a mensagem e avalia a si mesmo pelo que ouve. Ele é muitas vezes convencido dos seus pecados e os lamenta. Ele testa a si mesmo pelo padrão de Deus e se sente tão longe de ser aquilo que deveria, que sinceramente duvida da sinceridade da sua própria profissão (de fé). A palavra o corta em pedaços , como uma espada de dois gumes e o faz clamar: "desventurado homem que sou!".

Na oração, o mero professo muitas vezes faz o crente humilde envergonhar-se de si mesmo. O religioso carnal, que tem o "dom da palavra", nunca se perde com elas; frases fluem de seus lábios tão prontamente como águas de um riacho murmurante; versículos das Escrituras parecem correr através da sua mente tão livremente como pó passa pela peneira, ao passo que o pobre e oprimido filho de Deus é muitas vezes incapaz de fazer algo mais do que clamar: "Ó Deus sê propício a mim pecador!". Ah, meus amigos, nós precisamos distinguir nitidamente entre a aptidão natural em fazer "boas" orações e o espírito de súplica verdadeira: um consiste meramente de palavras, o outro de "gemidos inexprimíveis"; um é adquirido por educação religiosa, o outro é implantado na alma pelo Espírito Santo.

Assim é também em assuntos sobre as coisas de Deus. O professo fútil pode conversar loquazmente e muitas vezes, de modo ortodoxo, de "doutrinas", sim, e de coisas terrenas também. De acordo com a sua disposição, ou dependendo da sua audiência, assim é o seu tema. Mas o filho de Deus, embora sendo pronto para ouvir o que é para a edificação, é "tardio para falar". Oh meu leitor, cuidado com pessoas que falam muito; um tambor faz bastante barulho, mas é vazio por dentro! "Muitos proclamam a sua própria benignidade, mais o homem fidedigno quem o achará?" (Pv. 20:6). Quando um santo de Deus abre os seus lábios para falar de assuntos espirituais, é para dizer o que o Senhor, em Sua infinita misericórdia, tem feito por ele; mas o religioso carnal está ansioso para que os outros saibam o que ele tem feito pelo Senhor.

A diferença é evidente da mesma forma, entre o crente genuíno e o crente nominal, com relação à vida diária: conquanto este último possa parecer exteriormente justo, ainda assim por dentro está "cheio de hipocrisia e iniquidade"(Mt. 23:28). Eles colocarão a pele de uma verdadeira ovelha, mas na realidade são lobos em pele de ovelhas. Mas os filhos de Deus têm a natureza da ovelha, e aprendem dAquele que é "manso e humilde de coração" e, como eleitos de Deus, se revestem de "ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade" (Cl. 3:12). Eles são em secreto o que são em público. Eles adoram a Deus em espírito e em verdade.

Também é assim no fim de suas vidas. Um professo vazio pode morrer tão fácil e tranqüilamente como viveu - abandonado pelo Espírito Santo e não perturbado pelo diabo; como diz o salmista: "para ele não há preocupações" (Sl. 73:4). Mas isso é muito diferente do fim daquele cuja consciência, profundamente sulcada e reconhecidamente corrompida, foi aspergida com o precioso sangue de Cristo: "Observa o homem íntegro, e contempla o justo; porquanto o fim daquele homem é de paz" (Sl. 37:37) - sim, uma paz que "excede todo o entendimento". Tendo vivido a vida do justo, ele morre "a morte do justo" (Nm". 23:10).

E o que é que distingue um caráter do outro? onde está a diferença entre o crente genuíno e o que o é apenas no nome? Nisso: em uma fé dada por Deus e implantada no coração pelo Espírito. Não um mero concordar intelectual com a Verdade, mas um vivo, espiritual e vital princípio no coração - uma fé que "purifica o coração "(At. 15:9), que "atua pelo amor" (Gl. 5:6), que "vence o mundo" (1Jo. 5:4). Sim, uma fé que é divinamente mantida em meio a provações por dentro e oposições por fora; uma fé que exclama "ainda que Ele me mate, nEle confiarei" (Jó 13:15).

É bem verdade que essa fé não está sempre em atuação, nem é igualmente forte em todo o tempo. O beneficiário dela deve ser ensinado por dolorosa experiência que da mesma forma como ele não a criou, ele também não pode comandá-la; por essa razão ele se volta para o seu Autor e diz: "Senhor eu creio, ajuda-me com a minha falta de fé". E é assim para que quando ler a Palavra ele seja capaz de apossar-se das suas preciosas promessas; quando prostrar-se diante do trono da graça, ele seja capaz de lançar o seu fardo sobre o Senhor; que quando ele levantar-se para seus deveres temporais, seja capaz de apoiar-se nos braços eternos; e quando ele for chamado a passar pelo vale da sombra da morte, clame triunfantemente: "não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo". "Senhor aumenta-nos a fé".


Tradução: Ronaldo Pernambuco

quinta-feira, 15 de julho de 2010

CARTA À BISPA EVÔNIA*

por Augustus Nicodemus

*Nota – é mais uma carta ficticia, gênero que uso como maneira de tornar as minhas idéias mais interessantes para o leitor. Minha esposa não tem (ainda) nenhuma amiga que virou bispa.]

Minha cara Evônia,

Minha esposa me falou do encontro casual que vocês duas tiveram no shopping semana passada. Ela estava muito feliz em rever você e relembrar os tempos do ginásio e da igreja que vocês frequentavam. Aí ela me contou que você foi consagrada pastora e depois bispa desta outra denominação que você tinha começado a frequentar.

Ela também me mostrou os e-mails que vocês trocaram sobre este assunto, em que você tenta justificar o fato de ser uma pastora e bispa, já que minha esposa tinha estranhado isto na conversa que vocês tiveram. Ela me pediu para ler e comentar seus argumentos e contra-argumentos. Não pretendo ofendê-la de maneira nenhuma – nem mesmo conheço você pessoalmente. Mas faço estes comentários para ver se de alguma forma posso ser útil na sua reflexão sobre o ter aceitado o cargo de pastora e de bispa.

Acho, para começar, que você ser bispa vem de uma atitude de sua comunidade para com as Escrituras, que equivale a considerá-la condicionada à visão patriarcal e machista da época. Ou seja, ela é nossa regra, mas não para todas as coisas. Ao rejeitar o ensinamento da Bíblia sobre liderança, adota-se outro parâmetro, que geralmente é o pensamento e o espírito da época.

E é claro, Evônia, que na nossa cultura a mulher – especialmente as inteligentes e dedicadas como você – ocupa todas as posições de liderança disponíveis, desde CEO de empresas a presidência da República – se a Dilma ganhar. Portanto, sem o ensinamento bíblico como âncora, nada mais natural que as igrejas também coloquem em sua liderança presbíteras, pastoras, bispas e apóstolas.

Mas, a pergunta que você tem que fazer, Evônia, é o que a Bíblia ensina sobre mulheres assumirem a liderança da igreja e se este ensino se aplica aos nossos dias. Não escondo a minha opinião. Para mim, a liderança da igreja foi entregue pelo Senhor Jesus e por seus apóstolos a homens cristãos qualificados. E este padrão, claramente encontrado na Bíblia, vale como norma para nossos dias, pois se baseia em princípios teológicos e não culturais. Reflita no seguinte.

1. Embora mulheres tenham sido juízas e profetisas (Jz 4.4; 2Re 22.14) em Israel nunca foram ungidas, consagradas e ordenadas como sacerdotisas, para cuidar do serviço sagrado, das coisas de Deus, conduzir o culto no templo e ensinar o povo de Deus, que eram as funções do sacerdote (Ml 2.7). Encontramos profetisas no Novo Testamento, como as filhas de Felipe (At 21.9; 1Co 11.5), mas não encontramos sacerdotisas, isto é, presbíteras, pastoras, bispas, apóstolas. Apelar à Débora e Hulda, como você fez em seu e-mail, prova somente que Deus pode usar mulheres para falar ao seu povo. Não prova que elas tenham que ser ordenadas.

2. Você disse à minha esposa que Jesus não escolheu mulheres para apóstolas porque ele não queria escandalizar a sociedade machista de sua época. Será, Evônia? O Senhor Jesus rompeu com vários paradigmas culturais de sua época. Ele falou com mulheres (Jo 8.10-11), inclusive com samaritanas (Jo 4.7), quebrou o sábado (Jo 5.18), as leis da dieta religiosa dos judeus (Mt 7.2), relacionou-se com gentios (Mt 4.15). Se ele achasse que era a coisa certa a fazer, certamente teria escolhido mulheres para constar entre os doze apóstolos que nomeou. Mas, não o fez, apesar de ter em sua companhia mulheres que o seguiam e serviam, como Maria Madalena, Marta e Maria sua irmã (Lc 8.1-2).

3. Por falar nisto, lembre também que os apóstolos, por sua vez, quando tiveram a chance de incluir uma mulher no círculo apostólico em lugar de Judas, escolheram um homem, Matias (At 1.26), mesmo que houvesse mulheres proeminentes na assembléia, como a própria Maria, mãe de Jesus (At 1.14-15) – que escolha mais lógica do que ela? E mais tarde, quando resolveram criar um grupo que cuidasse das viúvas da igreja, determinaram que fossem escolhidos sete homens, quando o natural e cultural seria supor que as viúvas seriam mais bem atendidas por outras mulheres (Atos 6.1-7).

4. Tem mais. Nas instruções que deram às igrejas sobre presbíteros e diáconos, os apóstolos determinaram que eles deveriam ser marido de uma só mulher e deveriam governar bem a casa deles – obviamente eles tinham em mente homens cristãos (1Tm 3.2,12; Tt 1.6) e não mulheres, ainda que capazes, piedosas e dedicadas, como você. E mesmo que reconhecessem o importante e crucial papel da mulher cristã no bom andamento das igrejas, não as colocaram na liderança das comunidades, proibindo que elas ensinassem com a autoridade que era própria do homem (1Tm 2.12), que participassem na inquirição dos profetas, o que poderia levar à aparência de que estavam exercendo autoridade sobre o homem (1Co 14.29-35). Eles também estabeleceram que o homem é o cabeça da mulher (1Co 11.3; Ef 5.23), uma analogia que claramente atribui ao homem o papel de liderança.

5. Você retrucou à minha esposa na troca de e-mails que nenhuma destas passagens se aplica hoje, pois são culturais. Mas, será, Evônia, que estas orientações foram resultado da influência da cultura patriarcalista e machista daquela época nos autores bíblicos? Tomemos Paulo, por exemplo. Será que ele era mesmo um machista, que tinha problemas com as mulheres e suspeitava que elas viviam constantemente tramando para assumir a liderança das igrejas que ele fundou, como você argumentou? Será que um machista deste tipo diria que as mulheres têm direito ao seu próprio marido, que elas têm direitos sexuais iguais ao homem, bem como o direito de separar-se quando o marido resolve abandoná-la? (1Co 7.2-4,15) Um machista determinaria que os homens deveriam amar a própria esposa como amavam a si mesmos? (Ef 5.28,33). Um machista se referiria a uma mulher admitindo que ela tinha sido sua protetora, como Paulo o faz com Febe (Rm 16.1-2)?

6. Agora, se Paulo foi realmente influenciado pela cultura de sua época ao proibir as mulheres de assumir a liderança das igrejas, o que me impede de pensar que a mesma coisa aconteceu quando ele ensinou, por exemplo, que o homossexualismo é uma distorção da natureza acarretada pelo abandono de Deus (Rm 1.24-28) e que os sodomitas e efeminados não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9-11)? Você defende também, Evônia, que estas passagens são culturais e que se Paulo vivesse hoje teria outra opinião sobre a homossexualidade? Pergunto isto pois em outras igrejas este argumento está sendo usado.

7. Tem mais, se você ainda tiver um tempinho para me ouvir. As alegações apostólicas não me soam culturais. Paulo argumenta que o homem é o cabeça da mulher a partir de um encadeamento hierárquico que tem início em Deus Pai, descendo pelo Filho, pelo homem e chegando até a mulher (1Co 11.3).[1] Este argumento me parece bem teológico, como aquele que faz uma analogia entre marido e mulher e Cristo e a igreja, “o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Não consigo imaginar uma analogia mais teológica do que esta para estabelecer a liderança masculina. E quando Paulo restringe a participação da mulher no ensino autoritativo –que é próprio do homem – argumenta a partir do relato da criação e da queda (1Tm 2.12-14).[2]

8. Você já deve ter percebido que para legitimar sua posição como bispa você teve que dar um jeito neste padrão de liderança exclusiva masculina que é claramente ensinado na Bíblia e na ausência de evidências de que mulheres assumiram esta liderança. Não tem como aceitar ser bispa e ao mesmo tempo manter que a Bíblia toda é a Palavra de Deus para nossos dias. E foi assim que você adotou esta postura de dizer que a liderança exclusiva masculina é resultado da cosmovisão patriarcal e machista dos autores do Antigo e Novo Testamentos, e que portanto não pode ser mais usada em nossos dias, quando os tempos mudaram, e as mulheres se emanciparam e passaram a assumir a liderança em todas as áreas da vida. Em outras palavras, como você mesmo confirmou em seu e-mail, a Bíblia é para você um livro culturalmente condicionado e só devemos aplicar dele aquelas partes que estão em harmonia e consenso com nossa própria cultura. Eu sei que você não disse isto com estas exatas palavras, mas a impressão que fica é que você considera a Bíblia como retrógrada e ultrapassada e que o modelo de liderança que ela ensina não serve de paradigma para a liderança moderna da Igreja de Cristo.

Quando se chega a este nível, então, para mim, a porta está aberta para a entrada de qualquer coisa que seja aceitável em nossa cultura, mesmo que seja condenada nas Escrituras. Como você poderá, como bispa, responder biblicamente aos jovens de sua igreja que disserem que o casamento está ultrapassado e que sexo antes do casamento é normal e mesmo o relacionamento homossexual? Como você vai orientar biblicamente aquele casal que acha normal terem casos fora do casamento, desde que estejam de acordo entre eles, e que acham que adultério é alguma coisa do passado?

Sabe Evônia, você e a sua comunidade não estão sozinhas nessa distorção. Na realidade esse pensamento é também popularizado por seminários de denominações tradicionais e professores de Bíblia que passaram a questionar a infalibilidade das Escrituras, utilizando o método histórico crítico, ensinando em sala de aula que Paulo e os demais autores do Novo Testamento foram influenciados pela visão patriarcal e machista do mundo da época deles. Só podia dar nisso... na hora que os pastores, presbíteros e as próprias igrejas relativizam o ensino das Escrituras, considerando-o preso ao séc. I e irremediavelmente condicionado à visão de mundo antiga, a igreja perde o referencial, o parâmetro, o norte, o prumo – e como ninguém vive sem estas coisas, elege a cultura como guia.

Termino reiterando meu apreço e respeito por você como mulher cristã e pedindo desculpas se não posso me dirigir a você, em nossa correspondência pessoal, como “bispa” Evônia. Espero que meus motivos tenham ficado claros.

Um abraço,

Augustus

NOTAS

[1] Esse encadeamento hierárquico se refere à economia da Trindade e trata das diferentes funções assumidas pelas Pessoas da Trindade na salvação do homem. Ontologicamente, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em honra, glória, poder, majestade, como afirmam nossas confissões reformadas.

[2] Veja minha interpretação desta passagem e de outras no artigo da Fides Reformata “Ordenação Feminina”.

Extraido de: tempora-mores.blogspot.com

terça-feira, 13 de julho de 2010

O QUE É HUMILDADE?

por John Piper

Em 1908, o escritor inglês G. K. Chesterton descreveu o embrião da cultura que hoje chamamos de pós-modernismo. Este já é um termo desgastado. Algum dia, os leitores o pesquisarão em um livro de História. Uma das características de seu “relativismo vulgar” (conforme o chama Michael Novak) é o erro grave de tomar a palavra arrogância para referir-se à convicção e humildade para referir-se à dúvida. Chesterton viu a chegada do pós-modernismo:

O que sofremos hoje é de humildade no lugar errado. A modéstia se afastou do setor da ambição e se estabeleceu na área das convicções, o que nunca deveria ter acontecido. Um homem devia mostrar-se duvidoso a respeito de si mesmo, mas não a respeito da verdade; isto foi invertido completamente. Hoje, aquilo no qual o homem confia é exatamente aquilo em que ele não deveria confiar — nele mesmo. Aquilo que ele duvida é exatamente o que ele não deveria duvidar — a razão divina... O cético moderno propõe ser tão humilde que duvida se pode aprender... Existe uma humildade característica de nossa época; acontece, porém, que ela é uma humildade mais venenosa do que as mais severas prostrações dos ascéticos... A velha humildade fazia que o homem duvidasse de seus esforços, e isto, por sua vez, o levaria a trabalhar com mais empenho. Mas a nova humildade torna o homem duvidoso a respeito de seus alvos; e isto o faz parar de trabalhar completamente... Estamos a caminho de produzir uma raça de homens tão mentalmente modestos que serão incapazes de acreditar na tabuada de multiplicação.

Vemos isso, por exemplo, no ressentimento para com os crentes que expressam a convicção de que os judeus (como as outras pessoas) precisam crer em Jesus, para serem salvos. A reação mais comum a esta convicção é que os crentes são arrogantes. A humildade contemporânea está firmemente arraigada no relativismo que evita conhecer a verdade e especificar o erro. Mas isto não é o que a humildade costumava significar.

Se a humildade não é aquiescência às exigências populares do relativismo, então, o que é humildade? Isto é importante, pois a Bíblia diz: “Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça” (1 Pe 5.5); e: “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc 14.11). A humildade, portanto, é sobremodo importante. Deus nos diz pelo menos cinco coisas a respeito da humildade:

1. A humildade começa com um senso de submissão a Deus, em Cristo. “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor” (Mt 10.24). “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus” (1 Pe 5.6).

2. A humildade não sente que tem o direito de receber melhor tratamento do que o tratamento dado a Jesus. “Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?” (Mt 10.25.) Por conseguinte, a humildade não paga o mal com o mal. Não é uma vida baseada nos direitos percebidos. “Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos... quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pe 2.21-23).

3. A humildade afirma a verdade não para apoiar o “eu” com o domínio e triunfos dos debates, mas como um serviço prestado a Cristo e expressão de amor para com o adversário. O amor “regozija-se com a verdade” (1 Co 13.6). “O que vos digo às escuras... Não temais” (Mt 10.27,28). “Não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2 Co 4.5).

4. A humildade sabe que depende da graça de Deus para conhecer e crer. “Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (1 Co 4.7.) “Acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma” (Tg 1.21).

5. A humildade sabe que é falível; por isso, reflete sobre o criticismo e aprende dele. Mas também sabe que Deus fez provisão para a convicção humana e nos convoca a persuadir os outros.

Agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido (1 Co 13.12).

O sábio dá ouvidos aos conselhos (Pv 12.15).

Conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens (2 Co 5.11).


Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.